Célebre pirâmide do Louvre é reabilitada


22 de Setembro, 2014

Fotografia: Reuters |

O Museu do Louvre vai investir 5,3 milhões de euros no projecto Pirâmide, para acabar com as filas de espera e tornar a visita ao museu “mais confortável”, anunciou na sexta-feira o director da instituição, Jean-Luc Martinez.

Desde a década de 1980, quando foi inaugurada a Pirâmide do Louvre, em Paris, o museu francês cresceu muito e na altura era visitado anualmente por três milhões de pessoas. “Hoje são mais de nove milhões e prevê-se que em 2025 sejam 12 milhões. Portanto, a remodelação é para acompanhar estes novos tempos”, disse.
“O sucesso do Museu do Louvre levou ao aumento das filas de espera e à saturação de certos equipamentos, como os bengaleiros ou as casas de banho”, disse Jean-Luc Martinez à AFP. Como o nome do projecto deixa antever, um dos principais focos é a entrada principal e mais popular do museu: a Pirâmide, obra do arquitecto norte-americano Ieoh Ming Pei, inaugurada em 1989.
A Pirâmide, por onde entram 80 por cento dos visitantes, “tornou-se uma obra de arte, central na identidade do Louvre”, disse o presidente do museu. “Esta maravilhosa entrada é, por vezes, demasiado barulhenta e dá sensação que não estava na intenção do arquitecto”, continua, explicando que o espaço foi projectado para ser como uma câmara de vácuo que prepara a visita.
As obras vão organizar este lugar e desimpedir o átrio de entrada, denominado “Átrio Napoleão”, de forma a torná-lo mais calmo e silencioso. “Pretendemos também reagrupar alguns serviços como a bilheteira e o bengaleiro, que nesta altura estão muito próximos e sobrecarregados pelo excesso de pessoas”, explicou.  Os trabalhos vão começar no final deste ano e prolongar-se até 2017, mantendo-se, contudo, o museu em funcionamento. Além de adaptar esta entrada e a recepção ao fluxo crescente de visitantes, o Louvre quer também adaptar-se a um público cada vez mais diversificado: 70 por cento das pessoas são estrangeiras, 60 a 70 por cento entram no museu pela primeira vez, e metade tem menos de 30 anos.
“Como é que se torna o Louvre mais inteligível para os cidadãos do mundo, que têm culturas tão diferentes?”, interroga-se o director. A resposta, referiu, é simples.
“Vamos acrescentar sinalética e os painéis informativos em cada uma das 404 salas vão passar a ser trilingues (francês, inglês e espanhol) e as fichas técnicas das obras vão ser traduzidas para inglês. Com a introdução deste idioma e do espanhol, 98 por cento dos visitantes vai conseguir interpretar a informação”.
Jean-Luc Martinez pretende, depois destas obras para facilitar o acesso ao museu, repensar os percursos e a forma como eles estão organizados: as separações entre pintura e escultura, a organização por escolas. “Nos anos 80, o museu destinava-se ao visitante que gosta do museu e o desenho dos percursos foi feito a pensar nesse público”, disse. Hoje, destaca, o público é diferente e é um desafio.
O responsável adiantou que não tem grandes dados sobre o que procuram as pessoas. “Quando perguntámos na plataforma ‘Louvre-Lens’ o que é que vão ver ao Louvre?, muitas pessoas responderam: os impressionistas e Picasso, artistas que não têm obras neste museu francês”, desabafou.
Para ele, a maioria das pessoas desconhece que o museu “é a casa da Vénus de Milo e da Mona Lisa, a obra mais procurada do museu”. “A maioria das pessoas pergunta onde está a Mona Lisa”, contou ao  “Fígaro” Pauline Prion, responsável pelo projecto. “Vamos simplesmente tornar a indicação mais visível, com um cartaz enorme.”

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