Célebre poema de Homero adaptado para a juventude


13 de Dezembro, 2014

Fotografia: Divulgação

Uma adaptação para os jovens do poema épico grego de Homero, “A Ilíada”, sobre a guerra de Tróia, foi apresentada ontem em Lisboa, pelo tradutor português Frederico Lourenço.

O professor disse que esta nova “Ilíada” não exclui qualquer leitor. Frederico Lourenço adiantou que depois de ter feito a tradução da “Odisseia”, a “Ilíada” tornou-se um apelo irresistível.
O facto de a adaptação ser em prosa trouxe outras soluções e mais-valias: “É outra forma de abordar o texto de Homero, que tem quanto a mim uma lógica própria. O meu objectivo na adaptação das duas obras foi conseguir um texto que fizesse sentido tanto para um leitor adolescente como para o adulto. Optei assim por uma linguagem bastante límpida, mas decide não infantilizar o vocabulário do livro.”
Devido às passagens muito cruas do texto de Homero, Frederico Lourenço referiu que decidiu fazer algumas alterações. “O modo como é descrita, sem pestanejar, a morte no campo de batalha, é um dos elementos mais fortes da ‘Ilíada’. Hoje estamos inundados de imagens tremendas que nos chegam de conflitos em tantas partes do mundo e sentimos a exposição a esse tipo de imagética como marca daquilo que é a comunicação social hoje, já que há alguns anos não eram permitidas na televisão imagens da crueza que hoje vemos. A ‘Ilíada’ não recua perante a verbalização do que é morrer por uma lança ou uma espada. Sangue e vísceras fazem parte integrante deste poema cujo tema principal é a morte.”
O livro “A Ilíada” é constituída por 15.693 versos. Foi composta por uma mistura de dialectos, resultando numa língua literária artificial, que nunca foi de facto falada na Grécia.
Os especialistas consideram que tenha a sua origem na tradição oral desde os tempos micénicos, ou seja, foi originalmente cantada pelos aedos e só muito mais tarde os versos foram compilados numa versão escrita, no século VI a.C em Atenas.
O poema foi então posteriormente dividido em 24 cantos, divisão que persiste até hoje. A divisão, com cada canto correspondendo a uma letra do alfabeto grego, é atribuída aos estudiosos da biblioteca de Alexandria.
O livro é, juntamente com a “Odisseia” (também de Homero), o modelo da poesia épica, seguido pelos autores clássicos, como Virgílio, em “Eneida”.
No entanto, para os críticos, “A Ilíada” influenciou fortemente a cultura clássica de maneira geral, abrangendo campos não só da literatura, como a poesia lírica e a tragédia (influenciando a linguagem e os temas desses), mas também a historiografia e a filosofia. “A Ilíada” é considerada a “obra fundadora” da literatura ocidental.

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