Cenas da revolta de Catete em peça de teatro

Roque Silva
3 de Setembro, 2016

Fotografia: DR

Cenas da revolta da população do município de Catete aquando da prisão de Agostinho Neto, em 1960, em Luanda, seguida da sua transferência para diversas prisões em Cabo Verde e Portugal,

foram representadas pelo grupo Catarcis, no espectáculo “Corre o sangue do Icolo e Bengo”, exibido ontem, na Liga Africa, em Luanda, no âmbito do I Prémio de Teatro Kilamba.
O espectáculo reporta cenas que datam de 1957, ano em que se formou em Medicina, em Lisboa, até à época da sua eleição como presidente honorário do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), em 1960.
A peça reporta as adversidades vividas por um jovem destemido, recém-formado e decidido a fazer política, que, em paralelo com a sua actividade clínica, tinha uma militância a favor da independência de Angola.
O clima de fuga e de clandestinidade vivido naquele período é representado por 20 actores, que além da personagem Agostinho Neto e de seus próximos, tem como figurantes a Polícia Militar Portuguesa.
A participação de Agostinho Neto na fundação do Movimento Anticolonialista (MAC), que congregou patriotas das colónias portuguesas para uma acção revolucionária conjunta em Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Moçambique e São Tomé e Príncipe ganhou vida no espectáculo de teatro.
O encenador Mac Gonel disse que a montagem da peça teve como inspiração a publicação do jornal Avante, com o título “Corre o sangue do Icolo e Bengo”, referida no livro “Agostinho Neto e a Libertação de Angola (1949-1974) - Arquivos Secretos da PIDE-DGS”, editado o ano passado pela Fundação Agostinho Neto.

Discursos de Neto

Fragmentos dos discursos de António Agostinho Neto, proferidos no dia da proclamação da Independência, a 11 de Novembro de 1975, e na sua eleição como presidente honorário do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), em 1960, são apresentados hoje, à mesma hora e local, na peça “Os discursos de Neto”, pelo colectivo Horizonte Ngola Kiluanje.
Além dos discursos históricos de Agostinho Neto, as personagens vão interpretar ainda canções baseadas na poesia de Agostinho Neto, com o suporte da banda Horizonte Ngola Kiluanje, ao som da guitarra e do piano, numa representação com a duração de 40 minutos.
O grupo Imbondeiro apresenta, amanhã, às 20h00, a peça “O julgamento”, enquanto o colectivo Molofeca exibe uma hora mais tarde o espectáculo “A primeira prisão de Agostinho Neto”.
O Prémio de Teatro Kilamba, criado pela produtora Cena Livre em parceria com a Fundação Agostinho Neto,  prossegue até ao dia 10.

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