Centro Chiloango reabre em Cabinda

Leonor Mabiala| Cabinda
13 de Agosto, 2014

Fotografia: Rafael Tati| Cabinda

A província de Cabinda vai inaugurar em breve o Centro Cultural Chiloango e a Casa de Cultura do município de Cacongo, no âmbito do II Festival Nacional de Cultura (FENACULT), que se realiza entre 30 de Agosto e 20 de Setembro.

O secretário provincial da Cultura, que deu esta informação ao Jornal de Angola, explicou que o Centro Cultural Chiloango esteve em obras de reabilitação e está agora apetrechado com equipamentos modernos, que vão garantir o seu funcionamento normal. Além de uma área comercial com dez lojas, três restaurantes e uma discoteca, o centro tem ainda um salão multidisciplinar para a realização de conferências, além de uma outra área destinada à projecção de filmes e uma escola de música.
A Casa de Cultura do Cacongo, construída na vila de Lândana, é uma estrutura de uso multidisciplinar, com capacidade para acolher 300 pessoas, que vai servir para a promoção das actividades culturais naquele localidade e contribuir para a valorização dos artistas residentes neste município.
No Belize, as obras de reabilitação da Casa de Cultura, também de uso multidisciplinar para a promoção de espectáculos e outros eventos, ainda estão em curso, mas vai ser inaugurada durante as actividades do FENANCULT 2014.
Para o município Buco Zau, a secretaria da Cultura pediu às autoridades administrativas que indiquem um espaço para construir uma estrutura idêntica.
O secretário provincial da Cultura, Euclides da Lomba, explicou que o objectivo da reestruturação do Centro Cultural Chiloango é torná-lo um equipamento rentável financeiramente para permitir o seu funcionamento sem sobressaltos. Para tal, vai haver um conjunto de actividades artísticas, para os músicos locais realizarem espectáculos com regularidade, de modo a quebrar a letargia em que se encontram.
O museu regional de Cabinda é outra estrutura a ser inaugurada em breve, cujas obras de reabilitação, a cargo do Governo Provincial de Cabinda, estão quase concluídas. O espaço dispõe de duas áreas de exposição, sendo uma específica para peças museológicas e outra reservada à exposição permanente de artefactos da Floresta do Maiombe, flora e fauna, e um pavilhão multiusos para a realização de palestras e exposições regulares.
Euclides da Lomba convidou todos os criadores de Cabinda a aproveitarem os equipamentos postos à sua disposição, uma vez que o Governo está a criar condições para que os artistas possam trabalhar sem dificuldades.
Em relação às actividades referentes ao FENANCULT, esclareceu que elas decorrem a ritmo satisfatório, pese embora, até ao momento, não ter sido ainda disponibilizado pelo Ministério de tutela a verba para custear as despesas do evento.
No plano específico da província, disse que a primazia vai para as associações culturais, que durante muito tempo não conseguiram realizar qualquer actividade cultural. Para tal, algumas delas, com destaque para as de teatro, artes plásticas, a Brigada Jovem da Literatura, Assojuca e Jama, estão a realizar várias actividades pré-festival, em toda extensão da província. Em Cabinda vão ser realizados dois eventos, sendo um de âmbito nacional, denominado palco de vozes femininas, e um espectáculo de dimensão internacional, onde vai actuar um famoso músico estrangeiro.

Empresariado huilano


A directora provincial da Cultura na Huíla, Marcelina Gomes, pediu na segunda-feira, no Lubango, aos empresários nacionais e estrangeiros para apoiarem mais a indústria cultural. Em declarações à imprensa, no âmbito de uma conferência de imprensa sobre o FENACULT, disse que os homens de negócios devem investir, principalmente, nos músicos, grupos de teatro e cinema, por serem as áreas com mais possibilidades de projecção.
“Já existem algumas empresas culturais e elas têm feito o possível para realizar actividades e promover a cultura nacional, apesar de ainda ser muito pouco o esforço e seja preciso que esta classe aposte na divulgação destas artes, não só na sua dinamização, mas também na sua vertente científica”, realçou. Para a responsável, a maioria dos empresários pensam que investir na cultura é perder tempo, “mas na verdade é preciso que os empresários angolanos tenham consciência e comecem a acreditar que os produtos artísticos feitos em Angola gerem rendimentos”, explicou.
O programa da Direcção Provincial da Cultura para o FENACULT inclui diversas acções, como palestras sobre a identidade cultural, sessões de teatro e encontros com os membros das comunidades.

Valorizar as raízes

O historiador Juliano Tchamukwavo disse na segunda-feira, no Lubango, que a realização do II FENACULT vai permitir reencontrar e valorizar as raízes da cultura nacional.
“O festival é uma oportunidade para os angolanos fazerem uma introspecção real à sua génese, tendo em conta a diversidade cultural, pois Angola é um país múltiplo, em termos étnicos e culturais”, defendeu. Para o historiador, o festival representa também um momento de restauração da cultura nacional e de desenvolvimento das tradições, dentro de uma nova e mais coesa unidade nacional.
“Os angolanos têm a oportunidade de conhecer as culturas de outras localidades do país, uma vez que vão ser apresentados temas relacionados com as línguas de cada região, ou as danças típicas, em diversos encontros”, referiu.

Criadores no Uíge


O director provincial da Cultura no Uíge, José Cussiquina, aconselhou os agentes culturais a participarem activamente nos preparativos do FENACULT 2014.
Ao falar na abertura do encontro organizativo do FENACULT, salientou que o evento abrange todas as manifestações culturais, como poesia, prosa, fábulas, dança, teatro, artesanato, artes plásticas e outras.
Na sua perspectiva o FENACULT vai ser uma oportunidade para se apresentar a produção cultural da província. Palestras, tarde poética, espectáculos de gospel, visitas a áreas históricas, café literário, criação preparatória para o evento, entre outros, são também acções de apoio ao II FENACULT 2014. Participaram no encontro artistas, agentes culturais e outros convidados.

Reencontro da cultura


O artista plástico Ângelo de Carvalho considerou, no Sumbe, a realização do FENACULT como o reencontro da cultura angolana e uma oportunidade para os criadores demonstrarem o que é feito no Cuanza Sul, além da troca de experiências entre os artistas.
Do seu ponto de vista, o FENACULT vai ser um momento ímpar para os artistas e, por isso, todos os agentes e amantes da cultura vão poder demonstrar a identidade do povo angolano.
Ângelo de Carvalho pretende expor, durante o festival, mais de dez quadros sobre a vida da província em várias vertentes. O FENACULT vai servir como ponto de promoção da coesão, unidade e diversidade cultural de Angola, assim como da preservação e divulgação da identidade nacional.

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA