Choques de valores no palco do Horizonte

Manuel Albano |
24 de Agosto, 2016

Fotografia: Paulino Damião

O Horizonte Njinga Mbande exibe  na sexta-feira, às 20h00, no seu auditório, o espectáculo “O Dia para o Funeral”, adaptado do livro de Serqueira Lopes, sobre o papel da tradição nas convicções pessoais.

Com a duração de 1h15, a obra que é apresentada também em duas sessões, às 19h45 e às 21h15, no sábado e domingo, visa comemorar o Dia Internacional da Memória do Tráfico de Escravos e sua Abolição, assinalado ontem, 23 de Agosto, explica o actor e membro da direcção do grupo, Damião Kuvula.
A peça aborda o dilema muito comum na actual sociedade angolana, na qual o choque de valores se tem revelado a causa de muitos problemas familiares. Em “O Dia para o Funeral” a personagem Belita vive um conflito quando o marido morre e ela tem de decidir se segue a tradição ou continua na sua postura da educação moderna.
Com um elenco composto por 12 actores, a peça destaca ainda a necessidade de se valorizar mais a tradição e os traços culturais e realça a importância de se fazerem mais estudos acerca da diversidade e riqueza do mosaico cultural angolano.
Damião Kuvula explicou que estão abertas desde a semana passada, na escola Njinga Mbande, as inscrições para a formação nos cursos técnicos de Edição de Imagem, Operador de Câmara, Apresentadores de Televisão, Actores para o Teatro e Cinema.
Segundo o responsável, a formação é destinada, particularmente, a estudantes de Comunicação Social, profissionais de Rádio, TV, Teatro e Cinema, ou amadores interessados em aprimorar os seus conhecimentos nestas áreas. Até segunda-feira, já estavam mais de 50 inscritos.
O apelo de Damião Kuvula é no sentido dos interessados aproveitarem mais essa oportunidade, porque as inscrições terminam na primeira quinzena de Setembro. Com a duração de três meses e aulas ministradas em dias alternados, três horas por dia, a formação vai ajudar a suprir algumas lacunas registadas actualmente nessas áreas.
A Companhia de Teatro Horizonte Njinga Mbande foi fundada aos 8 de Outubro de 1986, em Luanda, por Adelino dos Santos Caracol e Ezequiel Issenguele. Actualmente é constituída por professores e estudantes de diferentes níveis de ensino. O colectivo está subdividido em escalões infantis, juniores e seniores, tendo como principais actividades o teatro, a dança, a música, o desenho e a pintura.
Pelo seu papel no resgate e defesa do teatro nacional, constam da galeria do colectivo vários prémios, tais como o Prémio Nacional de Cultura e Artes, na categoria de teatro, edição de 2007, instituído pelo Ministério da Cultura.
No ano anterior, sagrou-se vencedor do Prémio Nacional de Cultura e Artes Angola 30 anos, na categoria de teatro, edição única em 2006, seguidos dos prémios Dstv Angola.
A Companhia de Teatro Horizonte Njinga Mbande venceu também a primeira edição do concurso de Poesia, realizado pela JMPLA, e na primeira edição do Festival Nacional da Cultura (Fenacult), que decorreu no Estádio Nacional da Cidadela, em 1989, ficou na terceira posição, além de marcar presença em diversos festivais nacionais e internacionais.

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