Cultura

Cidade da Praia acolhe quatro dezenas de autores

A primeira Morabeza - Festa do Livro, na Cidade da Praia, vai reunir cerca de 40 autores, a partir de 30 de Outubro, e apresenta uma programação que se estende às escolas, com espectáculos musicais e debates.

Capital de Cabo Verde junta vários escritores, editores e leitores africanos
Fotografia: João Gomes | Edições Novembro

Num comunicado à imprensa, a organização aponta o certame, que tem como palco central o Palácio da Cultura, na capital cabo-verdiana, como “o maior evento literário dos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP)”.
A Morabeza “pretende assumir-se como um ponto de ligação entre os vários continentes onde a expressão portuguesa está presente e viva”, afirma a organização.
A organização considera, por outro lado, as parcerias firmadas com o Festival Rota das Letras, de Macau, o Festival da Palavra, de Porto Rico e Nova Iorque, e o Literatura em Viagem, de Matosinhos. A programação da festa tem prevista uma feira do livro, mesas de debate, concertos, sessões de poesia, acções de formação, visitas a escolas e universidades, um colóquio dedicado ao poeta Eugénio Tavares (1867-1930), um seminário internacional sobre o escritor cabo-verdiano Luís Romano, que se radicou no Brasil na década de 60, e ainda a pintura de um mural pelo duo Acidum.
A Morabeza abre no dia 30 de Outubro com uma sessão sob o título “Sodade - esta língua que nos separa”, com a participação do ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, Abraão Vicente, também autor, e dos escritores Arménio Vieira e Francisco José Viegas.
Até 5 de Novembro, quando encerra o evento, está prevista a realização de dez mesas-redondas sob diferentes motes como “É doce morrer no mar”, uma canção dos brasileiros Jorge Amado e Dorival Caymmi, ou “Tantu stória pa-m kontâ-bu”, que aborda a tradição oral; um ciclo de conversas com os escritores “em diversas universidades das ilhas cabo-verdianas; e a apresentação do livro “Debaixo da Nossa Pele - Uma Viagem”, de Joaquim Arena.
Entre os cerca de 40 autores que vão participar neste evento, foram já anunciados os nomes de Germano Almeida, autor de “O Testamento do Senhor Napumoceno”, Hélia Correia, distinguida com o Prémio Camões, em 2015, José Eduardo Agualusa, que recentemente publicou “A Sociedade dos Sonhadores Involuntários” e recebeu este ano o Prémio IMPAC de Dublin pelo romance “Teoria Geral do Esquecimento”, e ainda Afonso Cruz, Arménio Vieira, José Rodrigues dos Santos, Valter Hugo Mãe, Vera Duarte, Joaquim Arena e Álvaro Laborinho Lúcio, ex-ministro da Justiça de Portugal e autor da antologia de contos “O Chamador”.
Na área dos espectáculos, um trio composto pelos músicos Isabella Bretz, Matheus Félix e Rodrigo Lara vai apresentar “Canções para abreviar distâncias”, que incluem poemas de José Luís Peixoto (Portugal), Adélia Prado (Brasil), Mia Couto (Moçambique), Vera Duarte (Cabo Verde), Conceição Lima (São Tomé), Odete Semedo (Guiné-Bissau), Ana Paula Tavares (Angola) e Crisódio Araújo (Timor-Leste).
Antecipando a festa, a organização considera que se “deve deixar sementes para o futuro” e propõe “um conjunto de acções de formação dirigido aos quadros cabo-verdianos doe sectores editoriais privado e do público.”
Este tópico da festa intitulado “Programa de capacitação profissional de recursos humanos”, inclui as temáticas “Como criar uma editora?”, apresentada como uma “oficina de gestão editorial, ‘marketing’ e comunicação, em que se dão os fundamentos básicos da organização de uma editora” e “a internacionalização da literatura de Cabo Verde”, destinada a “apresentar a literatura cabo-verdiana nos mercados internacionais, seja na óptica do autor, do editor ou das políticas públicas de promoção da cultura”, entre outras.

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