Cultura

Cineasta italiano homenageado na cidade da Praia

O filme brasileiro “Serras da Desordem”, do realizador italiano Andrea Tonacci, abriu o ciclo de cinema “Maio.Doc”, que decorre no Centro Cultural Português da Praia, em Cabo Verde, dedicado a cinco países de língua oficial portuguesa, e termina terça-feira, cuja agenda inclui mais sete documentários.

Andrea Tonacci foi considerado um dos principais realizadores do Cinema Marginal um movimento cinematográfico ocorrido no Brasil
Fotografia: DR

Com curadoria do realizador português Rui Simões, o projecto “Maio.Doc” chega à capital cabo-verdiana depois de uma passagem pelo Mindelo, e é dedicado ao cineasta italiano radicado no Brasil, Andrea Tonnaci, que realizou “Serras da Desordem.”
Falecido em Dezembro de 2016, o cineasta foi considerado um dos principais realizadores do movimento cinematográfico da década de 1970 no Brasil, que ficou conhecido como Cinema Marginal, segundo uma nota de imprensa da organização.
O filme “Serras da Desordem” retrata, através da trajectória de Carapirú, um índio Awá-Guajá, a invasão e o massacre das tribos brasileiras por madeireiros e a sua trajectória de sobrevivência.
De acordo com o jornal “Expresso das Ilhas” de Portugal vão ser exibidos os documentários “Irmãos”, de Pedro Magano, sobre os Romeiros de São Miguel nos Açores, “Retratos a Preto e Branco”, de Rui Simões, sobre a curiosidade e a arte no bairro da Cova da Moura e “Pedra e Cal”, de Catarina Alves da Costa, sobre as casas rurais e a arquitectura tradicional alentejana. O filme “O homem que repara as mulheres”, de Thiery Michel, da Bélgica, “Piratas de Salé”, de Rosa Rogers e Merieme Addou, da Grã-Bretanha, “Cidade de Deus, 10 anos depois”, de Cavi Borges e Luciano Vidigal, do Brasil, e “Portugueses do Soho” de Ana Ventura Miranda, dos Estados Unidos, são outros em cartaz. Lançado em Novembro de 2006, “Serras da Desordem” é uma premiada longa-metragem produzida no Brasil. Um ano antes, o filme entrou na lista feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos. A trilha sonora foi dirigida pelo compositor Rui Weber, editado por Cristina Amaral. O filme tem mais de cinco prémios, designadamente Melhor Fotografia, Melhor Filme e Melhor realizador, da 34 edição do Festival de Gramado.
Em 2009 foi classificado Melhor Filme pela Associação Paulista de Críticos de Arte, Melhor Filme  do 11º Festival de Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira, em 2007,
Melhor Filme de longa metragem, do 1º Festival Guará de Cine Ambiental, em 2007, Melhor Filme Brasileiro do 1º Prémio Jairo Ferreira, em 2007, Melhor Filme Brasileiro - Prémio da Crítica Independente na 30ª Mostra Internacional de Cinema de SP, em 2006. Em 2006 também teve a distinção de Melhor Filme no 5º Festival de Cinema Ambiental, e Prémio Margarida de Prata. Em 1997, teve o prémio “Prix International de L’ecriture (Suíça)”, em terceiro lugar. O cineasta italiano Andrea Tonacci, falecido em Dezembro de 2016, radicado no Brasil, foi considerado um dos principais realizadores do Cinema Marginal, movimento cinematográfico ocorrido no Brasil na década de 1970.
Filho de italianos, mudou-se para São Paulo com a família aos onze anos de idade. Estudou Arquitectura e Engenharia, abandonando ambos os cursos para se dedicar à Sétima Arte.
A sua primeira longa-metragem, “Bang-bang”, tornou-se um divisor de águas no Cinema Marginal Brasileiro, sendo escolhido para a Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes.
Em 2006, o filme “Serras da Desordem” valeu-lhe os vários prémios no Festival de Gramado.  Em 2010, foi agraciado com a Ordem do Mérito Cultural, maior reconhecimento do governo brasileiro a personalidades que contribuem para o desenvolvimento da identidade cultural brasileira.

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