Cineastas criam data festiva

Francisco Pedro |
26 de Junho, 2014

Fotografia: DR

Os membros da comissão instaladora da Associação Angolana de Profissionais de Cinema, Televisão e Audiovisual (APROCIMA) decidiram realizar a cerimónia de fundação em Agosto, em homenagem ao cineasta, antropólogo e escritor Ruy Duarte de Carvalho.

A comissão instaladora, que realiza semanalmente em Luanda encontros de concertação, foi unânime na decisão de criar uma data festiva denominada “Dia do Cinema Angolano”, a ser também em Agosto.
De acordo com uma nota de imprensa da comissão instaladora, foi aberto concurso para o logotipo da associação. Os interessados em concorrer devem enviar as suas propostas até ao próximo dia 5, para a caixa postal 16.445 - Luanda, ou através de correio electrónico para o endereço maltadocinema.angolana1975@gmail.com.
Na cerimónia de fundação da APROCIMA vão ser aprovados os estatutos, documento que tem sido analisado desde Fevereiro, altura em que foi criada a comissão instaladora, com o apoio do Instituto Angolano de Cinema e Audiovisual (IACA). Está ainda prevista a exibição de uma retrospectiva cinematográfica dos profissionais da área filiados na associação, além da tomada de posse dos corpos gerentes, seguida de um momento cultural.
Cooperar com o Estado e a sociedade civil para o estabelecimento e incremento de políticas de desenvolvimento do cinema e audiovisual em todas as suas vertentes, tendo em vista a paz e harmonia social, são alguns dos objectivos da APROCIMA.
A associação também vai trabalhar na formação profissional dos seus membros e interessados, prestar assessoria técnica e artística às produções nacionais e estrangeiras, desde que se realizem em território nacional, promovendo os hábitos e costumes nacionais, regionais e locais.

Homenagem

A futura associação pretende, ainda, zelar pela criação da indústria e do mercado cinematográfico nacional, da carteira profissional do cineasta angolano, cooperação com instituições internacionais congéneres, particularmente da SADC, CPLP, União Africana, PALOP, entre outras. A primeira longa-metragem de ficção da cinematografia angolana é o filme “Faz Lá Coragem, Camarada”, rodado em 1976, com 120 minutos e em 16 mm, do realizador Ruy Duarte de Carvalho, que era então trabalhador da Televisão Pública de Angola.
Além da sua vasta produção cinematográfica, Ruy Duarte de Carvalho deixou uma rica bibliografia sobre cinema angolano: “O Camarada e a Câmara, cinema e antropologia para além do filme etnográfico” (1980), “A Câmara, a Escrita e a Coisa Dita - Fitas, Textos e Palestras” (1997), ambos editados pelo INALD e “A Câmara, a escrita e a coisa dita” (2008), editado em Lisboa, pela Cotovia. Galardoado em 2000 com o Prémio Nacional de Cultura e Artes, na categoria de Cinema e Audiovisual, dez anos depois foi distinguido, a título póstumo, na categoria de Literatura.
Ruy Duarte de Carvalho estudou realização em Londres e foi autor de uma vasta obra de documentários e das longas-metragens “Nelisita: narrativas nyaneka” (1982), e “Moia: o recado das ilhas” (1989).  Morreu em Agosto de 2010 na Namíbia.

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