Cinema da Independência está retratado em trilogia

Francisco Pedro |
28 de Abril, 2016

Mais um livro sobre a história do cinema angolano está disponível desde terça-feira, com o lançamento de “Angola: O Nascimento de Uma Nação - o Cinema da Independência”, volume III, cuja cerimónia decorreu no Camões-Centro Cultural Português, em Luanda.

A directora do Camões, Teresa Mateus, procedeu a apresentação da obra, sucedida de depoimento do realizador português Jorge António, um dos coordenadores da trilogia, que engloba o volume I “Angola: O Nascimento de Uma Nação - O Cinema do Império” e o volume II “Angola: O Nascimento de Uma Nação - O Cinema da Liberdade”.
A cerimónia de lançamento ficou marcada com a fraca presença dos jovens realizadores que, há mais de dez anos, se lançaram no mercado do cinema e audiovisual angolano afim de darem continuidade do trabalho dos precursores: Ruy Duarte de Carvalho, António Ole, Asdrúbal Rebelo, Orlando Fortunato, Manuel Mariano, Leonel Efe, Francisco Henriques, Salgado Costa, e tantos outros pioneiros do nosso cinema. Será que essa “grande ausência” dos jovens realizadores à fonte do saber é sinónimo que a actual geração pouco ou nada está interessada na obtenção de conhecimentos sólidos para aprimorar aspectos técnicos, estéticos e narrativos?
Além de terem perdido a oportunidade de obter o terceiro volume, senão todos, pois estavam à venda, os amantes do cinema angolano ausentes deixaram de ver, ou talvez rever, imagens inéditas de “Kuduro - Fogo no Musseke”, um documentário de Jorge António, sobre a origem e metamorfoses da dança e música kuduro, com atractivos depoimentos do kudurista Sebem, e a ficção “Caravana”, de Rogélio Paris, uma co-produção Angola e Cuba. Também foram exibidos trechos de outros filmes que marcam as distintas épocas da cinematografia angolana, de realizadores nacionais e de estrangeiros, e culminou com um “trailer” da ficção “A Ilha dos Cães”, próxima longa-metragem de Jorge António, estreia prevista para Setembro, em Luanda e Lisboa.
Embora tenha se registada a fraca presença dos realizadores da nova geração, os mesmos ganham privilégio no volume III em diversos capítulos: “Cinema Angolano: Um passado com o Futuro sempre Adiado”, compilado por José Mena Abrantes, “Dos filmes dos pioneiros aos ‘realizadores da poeira’: que cinema angolano”?, compilado por Tatiana Levin e no último capítulo “Filmar (em) Angola”, entrevista de Maria do Carmo Piçarra a Jorge António, e inclui cartazes de documentários e ficção, bem como cartazes de festivais e mostras de cinema realizadas em Luanda, desde a independência aos nossos dias.
O volume III é mais amplo não só pelo historial mas também pelo conjunto de fotos de arquivo a que tiveram acesso os seus autores, Maria do Carmo Piçarra e Jorge António.

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