Cinematografia debatida em Luanda

Mário Cohen |
25 de Setembro, 2015

Fotografia: Walter Fernandes

O actual estado do cinema em Angola é o tema de uma mesa-redonda a ser realizada terça-feira, às 18h00, no Instituto Camões, em Luanda, numa iniciativa do Centro Cultural Português e do Goethe Institut Angola.

À margem da mesa-redonda, a organização realiza ainda a exposição fotográfica, “Angola - uma ficção da liberdade”, de Walter Fernandes, com imagens do património arquitectónico do país em termos da cinematografia. A mostra realça a arquitectura das salas de cinema em Angola, construídas antes do fim do domínio colonial português, em 1975.
O autor da mostra explica que inicialmente os cinemas foram concebidos como espaços fechados tradicionais. “Anos depois, os cinemas ao ar livre, com esplanadas, tornaram-se numa referência. A chegada desses cinemas na década de 60 ajudou a desenvolver a experiência de ir ao cinema”, disse Walter Fernandes, acrescentando que a maioria “das catedrais urbanas” eram também um lugar onde as barreiras sociais podiam ser dissolvidas e a libertação do colonialismo era possível.
Walter Fernandes apresenta fotografias que oferecem não só uma análise da história da arquitectura desses recintos, mas também servem como importante documento de organização urbana no século XX, bem como a mudança de mentalidades de uma sociedade que vivia com a perspectiva da Independência Nacional. A exposição, que fica patente até ao dia 30 de Outubro, conta ainda com o apoio de Cristiane Schulte, Gabriele Stiller-Kern e Miguel Hurst. A par da palestra e da exposição de arte, o encontro analisa o estado da arquitectura moderna em Angola, com enfoque nos cinemas, devido às mudanças nas estruturas de alguns edifícios.
O objectivo da iniciativa, defendeu o coordenador do projecto de investigação “A Modernidade Ignorada: Arquitectura Moderna de Luanda”, Roberto Goycoolea Prado, é mostrar o choque entre o estilo tradicional e o moderno.
Roberto Goycoolea Prado acrescentou que os arquitectos projectam hoje edifícios que, além de belos, foram pensados para modos de vida, clima e tecnologias locais, “criando espaços públicos e privados úteis e confortáveis”.
O coordenador do projecto disse que o património arquitectónico moderno de Angola é considerado, a nível mundial, um caso singular na aplicação, em grande escala, dos conceitos aprovados nos Congressos Internacionais de Arquitectura Moderna (CIAM). 
Ao organizar estes debates, o Centro Cultural Português pretende dar continuidade às acções desenvolvidas ao longo deste ano, para a promoção e divulgação da arquitectura moderna em Angola, assim como destacar os trabalhos do género efectuados desde a década de 50 do século passado, por um grupo de arquitectos portugueses que, em ruptura com os padrões de arquitectura do regime fascista e inspirados por novos conceitos funcionais e estéticos da corrente moderna, concretizaram em Angola as ideais de transformação.

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