Cultura

Circuito de Teatro abre portas a novos desafios

Manuel Albano |

Em declarações ao Jornal de Angola Adérito Rodrigues “Bi”, adiantou, que, este ano, o circuito decorre sob o lema “Projectar África com o teatro” e as exibições, na sua maioria, focaram na vida social, política e cultural do continente africano.

A peça de teatro “O Preço do Fato” é a proposta do grupo Pitabel para o encerramento do Festival Internacional de Teatro
Fotografia: Eduardo Pedro | Edições Novembro

Este ano, informou, a organização do festival vai encerrar um uma gala agendada para a Casa 70, na segunda-feira à noite, com um vasto programa de actividades. Constam das actividades a realização de um espectáculo com a participação dos grupo Líricos, Tremura Show e do músico Missula. A peça de teatro “O Preço do Fato” é a proposta do grupo Pitabel para o encerramento. No palco, o grupo de teatro demonstra as consequências do choque de culturas, através da história fictícia de Cristina, uma jovem natural de Mbanza Kongo, que cresce em Luanda e vê a sua relação amorosa em risco devido à tradição. “O Preço do Fato” mostra a diversidade cultural de regiões do norte de Angola.
Um das novidades desta edição do festival, explicou, foi a criação de parcerias com a Televisão Pública de Angola (TPA), para cobertura e transmissão em diferido dos espectáculos. Além disso, acrescentou, todas as sextas-feiras vão ser realizados debates em torno dos grupos convidados, no programa “A Nossa Geração”.
Por sua vez, o director do CIT disse que pretende, nas próximas cinco edições, tornar o circuito numa das maiores referências a nível dos demais festivais realizados pelos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP). Por isso, garantiu, pretende criar parcerias capazes de tornar o projecto auto-sustentado.

Prémios e distinções

Durante a cerimónia de encerramento, Adérito Rodrigues adiantou que existe um programa extensivo com a entrega de certificados aos actores e directores num total de 15, que participaram de uma formação sobre “Interpretação para Teatro, Cinema e Televisão”, nos meses de Julho e Agosto, inserido na programação do CIT.
A formação, disse foi ministrada com professores angolanos e cubanos, o que permitiu aumentar o nível de conhecimento dos actores, encenadores e directores nacionais. “É uma preocupação do festival promover também formações no domínio das artes cénicas para garantir a continuidade do trabalho que tem sido desenvolvido ao longo das três edições."
Apesar de o CIT não ter um carácter competitivo, lembrou que os grupos distinguidos, como melhores companhias, nas categorias de conteúdos, figurino e sonoplastia, recebem o valor de 50 mil kwanzas, como resultado de uma parceria estabelecida com a Ubuntu - Casa de Cultura e Artes e o projecto “Cultura para Todos”.
Embora sejam prémios à parte das distinções do CIT, Adérito Rodrigues explicou que eles fazem parte da parceria com a Ubuntu, por servir de estímulo aos grupos participantes.

Protocolos

Entre os vários projectos criados este ano para melhorar o CIT, a organização destaca a assinatura do protocolo de cooperação com a Ubuntu, o projecto “Cultura para Todos”, do grupo Pitabel, e a Comissão Nacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) em Angola.
Dentre as 13 categorias a serem premiadas pelo festival, o director do festival destacou o prémio “Grupo CIT”, que vai receber do patrocinador oficial Angomart a quantia de cem mil kwanzas e certificado de participação.
Outro ponto de realce deste ano, explicou, é o lançamento da primeira edição da revista CIT, com periodicidade anual, apresentada ao público, oficialmente, no passado dia 24, no Centro de Imprensa Aníbal de Melo (CIAM), em Luanda.
As homenagens também são parte do projecto, realizado anualmente, numa iniciativa do grupo Pitabel. Este ano, destacou, a figura homenageada é a actriz Agnela Barros, cujo trabalho em prol do teatro ajudou a melhorar a qualidade de muitos grupos. Pela distinção e por ser a presidente da Ubuntu, a actriz já não é membro do júri desta edição do CIT.
Outro feito deste ano, destacou, foi ter conseguido firma parceria com o colégio Daniela Sofia, que vai premiar, no sábado, uma bolsa de estudo para o público.

Balanço positivo

O director do Circuito Internacional de Teatro (CIT), Adérito Rodrigues “Bi”, apresentou, ontem, em Luanda, na recta final do festival um balanço positivo, devido ao número elevado de público registado na assistência nos últimos meses.
O encenador informou que na edição passada o festival registou, durante os três meses de realização, um total de oito mil espectadores, enquanto este ano, a uma semanas do encerramento, 13 mil pessoas já assistiram aos espectáculos, realizados na Liga Africana.
“Até ao momento já se exibiram no palco da Liga Africana, no âmbito do CIT, grupos do Brasil, Moçambique e Portugal, como convidados estrangeiros, enquanto do país actuaram colectivos de Luanda, Malange, Huambo e Benguela”, disse. Adérito Rodrigues adiantou ainda que espera, até ao final do festival, a exibição de 48 grupos.
As oficinas de teatro e as palestras, denominadas “Bate Papo Teatral”, decorreram, até ao final do mês Agosto, sob a coordenação do encenador e professor José Teixeira “Chetas”.

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