Cultura

Classe artística abalada com morte de Nacobeta

A classe artística nacional está abalada com a notícia da morte do kudurista Nacobeta, ocorrida na segunda-feira por doença, numa unidade hospitalar em Luanda, cujo funeral se realiza hoje às 11h00, no cemitério de Santa Ana.

Partida prematura do “rei do Ndomboló” deixa um vazio nos precursores do kuduro
Fotografia: Jaimagens |

Artistas huilanos manifestaram-se na terça-feira, no Lubango, consternados com a morte do kudurista, considerando ser este um momento para se reflectir sobre a possibilidade de criação de um fundo de pensões para acudir os músicos em caso de necessidade.
Falando à Angop, no Lubango, os músicos, de forma unânime, destacaram as qualidades do “rei do Ndomboló, que até a data da sua morte foi um incontornável ícone do estilo popular kuduro.”
O kudurista Show Mike disse que em tudo o que faz hoje inspira-se em Nacobeta. “Graças a ele, consigo escrever músicas e buscar melodias para despontar em grandes palcos”, apelando para a necessidade de se criar um fundo de pensões para acudir a classe artística.
Já o kudurista Tropa 50 sublinhou que desde sempre admirou a forma como o falecido desfilava no palco, com demonstrações de músicas que faziam vibrar os seus fãs, para além de ter sido um “bom” produtor.
O coordenador provincial da Huíla da União dos Artistas e Compositores UNAC-SA, Serafim Afonso, exprimiu em nome dos artistas huilanos o seu sentimento de pesar, considerando que este vazio vai dificultar o crescimento musical neste estilo.
Para o responsável, os artistas angolanos notabilizados e não só devem continuar a transmitir a sua experiência neste ramo à nova geração, para melhor manter a identidade cultural angolana, através da música.
Artistas residentes em Caxito, província do Bengo, mostraram-se ontem, consternados com o falecimento do músico Nacobeta.
O artista Vladimir Gospel disse que Nacobeta deixa um vazio no mundo artístico e que a cultura nacional perde, deste modo, um grande activista no estilo kuduro.
O cantor sublinhou que o artista, que vai hoje a enterrar, foi um homem de vários valores éticos e morais, brincalhão, conselheiro e que gostava de aprender sempre.
O músico Marques Pires adiantou que a morte do autor de “Bababa” deixou um grande vazio, pois era uma figura insubstituível no que toca ao timbre de voz e na concepção de canções.
O director da Cultura do Bengo, Manuel Neto, enalteceu a figura de Nacobeta como sendo um dos jovens que revolucionou a dança ndomboló, incorporando-a no género kuduro, e deseja à família, em nome do colectivo de trabalhadores da instituição os mais sentidos sentimentos de pesar.
Nacobeta havia sido submetido a duas intervenções cirúrgicas à garganta, em 2016 e, desde então, nunca mais voltou aos palcos.
Com uma carreira artística de mais de 10 anos, o cantor fez sucesso no mercado kudurista na companhia de Puto Português, com quem produziu e publicou vários temas, entre os quais “Wakimono”, “Bababa” e “Mata cobra”.

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