"Coisas de mulher" exibida no Camões

Manuel Albano |
22 de Setembro, 2016

Fotografia: Paulo Mulaza

O preconceito e ideologias discriminatórias contra as mulheres são as propostas da exposição colectiva “Imbamba ya muhatu” (Coisas de mulher), das artistas plásticas angolana Keyezua e da nigeriana Wura Natasha Ogunji, a ser inaugurada dia 29, às 18h30, no Camões - Centro Cultural Português, na baixa de Luanda.

O trabalho das duas artistas  fica patente até dia 20 de Outubro e pretende trazer para o público algumas coisas de mulher, procurando, dessa forma, suscitar a reflexão e questionar o que esses objectos representam e ocupam, segundo uma nota do Camões.
A expressão “Coisas de mulher” é frequentemente utilizada para identificar coisas supérfluas, como cabelo, unhas e alimentos. Essa prática redutora, ao remeter essas “coisas” para o mundo privado e intimista da mulher descontextualiza, marginaliza e ignora a importância do papel da mulher na sociedade, ao longo da história, como agente activo no domínio económico, político, social e cultural.
A exposição chama a atenção para a exclusão do significado económico e estético de algumas dessas “Coisas de mulher”, do espaço feminino, confinado a um universo fechado, no qual através das gerações se vão perpetuando tradições de resignação e submissão a padrões discriminatórios.  Keyezua e Wura-Natasha Ogunji desvendam e questionam, neste trabalho, uma realidade, ainda dominante de subalternização do papel da mulher. O recurso à performance é central e abri espaço para um vasto campo de interpretação.
Wura-Natasha Ogungi aborda um tema ligado à tarefa de acarretar água, generalizada como própria da mulher, em todo o continente africano e Keyezua trabalha com o seu próprio corpo, tornando pública a rotina diária de grande parte das mulheres de maquilhar o rosto e esticar o cabelo africano, seguindo padrões estéticos convencionados de beleza.
Keyezua é uma artista angolana licenciada pela Real Academia de Artes em Haia, Holanda. Sobre o seu perfil diz: “Desde pequena fui a criança desobediente em casa, mudando as coisas para mostrar os meus sentimentos, de forma a provocar reacções. É algo que não desapareceu com os anos, cresceu em mim e tornei-me alguém que interage com questões humanas expondo-as para criar espaços de debate ou para uma segunda opinião da minha audiência. A minha arte está entre o expressionismo, surrealismo e pan-africanismo. Gosto de definir-me como uma contadora de histórias.’’
Enquanto, a pintora nigeriana Wura-Natasha Ogunji é conhecida pelos seus vídeos em que usa o próprio corpo para explorar noções de movimento e de impressão em água, terra e ar. A sua mais recente série de performances intitulada “Mo gbo mo branch/I heard and I branched myself into the party” explora a presença da mulher no espaço público em Lagos, Nigéria.

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