Cultura

Companhia Tic Tac encanta Cabo Verde

Manuel Albano

O trabalho de valorização e preservação da matriz cultural angolana através do teatro, feito pelo colectivo de artes Tic Tac, mereceu o reconhecimento do grupo em Cabo Verde, durante a terceira edição do Festival Internacional de Teatro do Atlântico (Tearti).

Fotografia: DR

O grupo, que apresentou, nos palcos cabo-verdianos, o espectáculo “Firmino o Roboteiro”, uma adaptação do livro “Primo Narciso e Outros Contos”, de António Fonseca, recebeu críticas positivas dos fazedores das artes de Cabo Verde, que destacaram o valor histórico da peça, por destacar um dos antigos maiores mercados de África, o “Roque Santeiro”.

O drama, um conto readaptado aos palcos, mostrou, como disse, ontem, ao Jornal de Angola, o actor Cipriano da Costa, que o teatro angolano tem potencial para conquistar mais espaço no mercado internacional, com destaque para os da lusofonia. “A participação nestes festivais tem sido uma porta aberta para o mundo ver o actual nível das artes dramáticas nacionais”, destacou.
Um dos motivos da boa aclamação da crítica cabo-verdiana, conta, é o facto de, na peça, os três actores participantes fizeram uma boa performance, na qual a dança e o canto permitiram aos espectadores imaginar o conto. A peça do Tic Tac conta a história de Firmino, jovem natural do Dombe Grande, Benguela, que migra para Luanda à procura de melhores oportunidades de vida e acaba por trabalhar no mercado do Roque Santeiro. Porém, devido a inúmeras situações, acaba morto por um desconhecido e, por isso, Velho Pena, um tio, lança uma praga que no final mata o assassino do sobrinho.
O objectivo, esclareceu o actor, é também chamar a atenção do público para o peso da tradição nas sociedades africanas, ainda muito conservadoras, com o misticismo como uma das referências. “É preciso levar mais informações sobre a actual realidade da sociedade moderna africana, mas sem descurar a importância da tradição”, disse, acrescentando que “ainda há muito a ser feito para os fazedores de teatro trabalharem em boas condições.”
Para Muana Malonga e Eduardo Songue, os outros dois actores que, com Cipriano da Costa, dão vida ao drama “Firmino”, é preciso, agora, trabalhar mais em prol das artes cénicas nacionais. Esta é a segunda vez que o Tic Tac participa no Tearti. No ano passado, o grupo foi distinguido com o prémio Espectáculo Revelação, pela peça “Jimbembe”.

 

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