Companhia de Dança Contemporânea prepara estreia

Adriano de Melo
1 de Maio, 2016

Fotografia: Rui Pinheiro

A Companhia de Dança Contemporânea (CDC) Angola está a preparar, apesar da crise financeira e das inúmeras dificuldades, um novo espectáculo, que é apresentado ao público no mês de Junho, informou, a sua directora.

Ana Clara Guerra Marques disse que a dificuldade para montar um espectáculo é maior actualmente devido a ausência de sensibilidade, visível na falta de apoios financeiros, até mesmo para a companhia poder sobreviver e desenvolver a sua actividade. “Este ano, a CDC Angola completa 25 anos de existência. Deveria ser uma data para comemorar de forma marcante e com dignidade. No entanto, o que acontece é que esta companhia pioneira, com um historial de inovação, qualidade e prestígio internacional passa actualmente pelo agravar das dificuldades”, disse.
O cenário actual, adiantou, não é, infelizmente animador para esta que foi a primeira companhia profissional angolana, uma das primeiras em África e que tem marcado, por mérito próprio, a diferença na dança em Angola. A directora da CDC Angola chamou ainda atenção para os trabalhos apresentados como dança tradicional mas nada têm de genuíno e quase nada das raízes tradicionais.
Este desrespeito, adiantou, que se estende ao acervo patrimonial, é também devido à falta de divulgação daquilo que é o verdadeiro património angolano. “Estes grupos limitam-se a reproduzir em série os mesmos movimentos uns dos outros, na sua generalidade inventados ou retirados de danças de outros países como o Senegal, África do Sul, Nigéria, ou o Mali, e ensinados por pessoas que, de professores nada possuem e a quem não se exigem responsabilidades por continuarem a adulterar e a viciar aquilo que temos de sagrado: o património tradicional e as potencialidades dos jovens.”
Para a coreógrafa é importante e urgente mudar a visão das pessoas em relação a dança contemporânea, porque a diversidade e riqueza da cultura angolana pode ser levada aos palcos a partir de um estudo profundo. “A CDC Angola tem um grande historial de criações com essa opção, a começar na obra “A propósito de Lweji”, com que se estreou em 1991. A este trabalho seguiram-se, “Uma frase qualquer… e outras (frases)”, “Peças para uma sombra iniciada e outros rituais mais ou menos” e “Paisagens Propícias”, em que a equipa criativa fez uma residência no deserto do Namibe para o estudo dos movimentos, das sonoridades e elementos plásticos das culturas locais.”
O último trabalho da CDC Angola foi a obra “Mpemba Nyi Mukundu”, apresentada nos Encontros com África no Brasil em 2014, no qual exploram um conto da oratura cokwe e usaram como suportes gráficos os sona (desenhos na areia). “É uma peça que traz para os tempos actuais um fundo moral do conto. Claro que para isso é fundamental o trabalho de pesquisa.”

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