Concorrentes apostam no tradicional

Manuel Albano | Ondjiva
6 de Novembro, 2014

Fotografia: Paulino Damião|Ondjiva

Isaías Guimarães “Irmão Kaly”, representante da província do Bie na presente edição do Festival de Música Popular Angolana, disse ontem ao Jornal de Angola que caso vença o concurso tenciona investir o valor do prémio na gravação do seu primeiro disco.

Neste edição, Irmão Kaly vai interpretar no estilo sungura e em umbundo o tema “Caixa social”, que retrata o sofrimento dos antigos combatentes, que ao serem beneficiários da Caixa Social fazem mau uso de dinheiro que recebem.
“Temos muitas histórias na nossa província de muitos antigos combatentes que se esqueceram  das suas mulheres do sofrimento e passaram a gastar o dinheiro com as jovens”, disse o músico, acrescentando ser uma forma de chamar a atenção no sentido de uma maior valorização da família e respeito pelas companheiras que se sacrificaram durante anos em que os maridos estavam na frente de combate.
A representante da província da Lunda Sul, Dina Alberto “Mana Tembo”, vai interpretar a canção “Mama ua ngombele”, cantada em chokwe no estilo kasswecumona. A música fala da desobediência de uma filha que não aceitou os conselhos da mãe.
Disse que vai lançar o seu primeiro disco “Txikembelessa txumatxipi”, no dia 17 do corrente mês, na província Lunda Sul. O disco tem dez faixas cantadas em chokwe, nos estilos tchianda, kassecumuna, kuassa e kandoa.
Para o representante do Cuanza Norte, Etelvino Domingos “Ete”, o tema que vai apresentar no Variante “Última canção” faz uma crítica na forma como têm sido realizados os funerais no país. “Há um desrespeito pelos nossos ente queridos que mostra a perda dos valores culturais”.
A representante do Huambo, Edna Mapeia, que vai interpretar “Ndavaluca”, disse que a letra cantada na fusão de kilapanga e onhatcho relembra algumas vivências de miúda na sua terra, quando se deslocavam as pedras para fazer fuba, no tempo em que as raparigas iam às lavra trabalhar a terra. “Se ganhar o prémio vou investir mais na minha formação artística, de maneira a aumentar os meus conhecimentos musicais”. O músico Evaristo Manuel Tchila “Tchisila”, de Benguela, disse que o seu tema “Namilyata”, cantado em umbundo, fala da importância de os jovens respeitarem mais os idosos, numa fusão de sungura e ukongo wa kalunga.
Gravar um disco caso vença esta edição do Variante é o sonho do representante da Lunda Norte, Vigando Jaime Paquissa, que esta noite vai interpretar o tema “O choro da Cegonha”, em estilo tchianda e cantada em chokwe. O músico aposta no resgate dos valores culturais que é o pano de fundo da letra da sua canção. “A juventude está a deixar de falar as línguas nacionais e dançar os ritmos tradicionais”.  O Cuando Cubango está representado por Abias Kavunvi que vai concorrer com o tema “Kalunga”; o Moxico com Tito Mununga (Sinistralidade rodoviária); o Cunene com Miss Olivia (Okana kawa); o Cuanza Sul com Tio Cardoso (Monany); o Namibe com Hilário Cacumba “Hijofica” (Criai); Luanda com Osvaldo Vicente, vencedor desta edição do Festival da Canção da LAC (Angola o país da nossa gente) e o Zaire com Afonso Ferreira “Big Strong” (Matoko matandu kieto).
Miguel Wamungandjo representa a Huila com o tema “O fuka yeto yiwa”; Manuel Dala, Malange, com o tema “Luanda”, LB Chocolate, Cabinda, com o tema “Tchinkulu tchito”; e Titi Matias, Bengo, com a música “Mutudidya nzumbi”.

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