Concurso literário vai na 7ª edição

Jomo Fortunato |
4 de Julho, 2016

Fotografia: M. Machangongo

A União dos Escritores Angolanos (UEA), no âmbito da programação das suas actividades culturais, procedeu, sexta-feira, a abertura e promoção da VII edição do Concurso Literário Infanto-Juvenil “Quem me dera ser onda”,

em acto que contou com a presença da entidade patrocinadora e dos vencedores da penúltima edição.
Tânya Sardinha Silvestre Garcia, Presidente do Conselho de Administração da Fundação Sol, entidade patrocinadora do Prémio, revelou a sua satisfação pela qualidade das obras que têm sido premiadas e pela importância do investimento da sua instituição no domínio da literatura: “Sentimo-nos regozijados, animados e firmes no apoio anual que a Fundação Sol tem dado à realização do Concurso Literário Infantil “Quem me dera ser onda”. Este é um concurso que visa promover a arte literária na camada mais jovem da nossa sociedade, para incutir o espírito de cultura e elevar os nossos talentos artísticos. Em nome da Fundação Sol desejamos a todos participantes muitos êxitos e agradecemos a estreita colaboração que continuamos a manter com a União dos Escritores Angolanos.”
O Concurso Literário Infanto-juvenil “Quem me dera ser onda” é um concurso de âmbito nacional, no domínio da prosa ficcionada, destinado aos alunos dos treze aos dezassete anos do primeiro e segundo ciclo do Ensino Secundário, ou candidatos de outras idades tutelados por pessoa idónea.
Importa realçar o papel desempenhado pelo Ministério da Educação que se juntou a União dos Escritores Angolanos, dois órgãos responsáveis pela implementação e materialização do Concurso, que, segundo o regulamento, podem solicitar a participação de outras entidades públicas ou privadas, para os eventuais patrocínios. O Prémio é realizado em duas fases, a primeira das quais provincial, em que participam todas as escolas secundárias e subdivide-se em várias etapas, em que se apuram turmas, escolas, municípios e províncias.

Programa


O programa de abertura e promoção da VII edição do Concurso Literário Infanto-Juvenil “Quem me dera ser onda”, realizado na União dos Escritores Angolanos teve, na abertura, a sessão de boas-vindas do Secretário para as Actividades Culturais da UEA, Pombal Maria, e um momento cultural com os meninos do Centro Polivalente “Nzoji, que interpretaram a canção “Meninos do Huambo”, um tema com letra de Manuel Rui, patrono do prémio. Na sequência, falaram do prémio Justino Capita, pelo Ministério da Educação, e Tânya Sardinha Silvestre Garcia, pela Fundação Sol. Num terceiro momento houve a leitura de trechos das obras vencedoras, e o testemunho do vencedor da 5ª edição, Moniz Mário Marques.

Objectivos


Segundo podemos ler no regulamento, o Concurso Literário Infanto-Juvenil “Quem me dera ser onda” persegue os seguintes objectivos: estimular a criatividade literária das crianças e jovens no domínio da prosa ficcionada, motivar os alunos para a pesquisa e gosto pela literatura angolana, contribuir para a melhoria do ensino da língua portuguesa, detectar jovens talentos com habilidades no domínio da literatura, e criar oportunidades para a troca de experiências neste domínio.

Júri

Até a edição de 2012 o júri foi constituído pelas escritoras Maria Eugénia Neto, Presidente, Celestina Fernandes, Maria Rita, Teresa Costa, as duas últimas professoras do Instituto Superior e Ciências de Educação (ISCED), e do professor, Ismael de Jesus Garcia. A segunda constituição do júri integrou os professores António Costa, Manuel Muanza, e Joaquim Martinho. Durante a vigência do concurso, o júri tem como função recepcionar as obras literárias, efectuar a classificação e divulgar os títulos até três obras literárias.
Quanto aos prémios, ao primeiro classificado é entregue um diploma e um prémio monetário equivalente a 500 mil kwanzas, o segundo classificado, com um diploma e um prémio monetário equivalente a 300 mil kwanzas e o terceiro classificado, com um diploma e um prémio monetário equivalente a 200 mil kwanzas. Os restantes nomeados pelo júri nacional recebem cada um diploma de mérito.

Histórico

Os distinguidos da edição 2010 foram Victorina Masseu António, primeiro lugar, com a obra “Sita a Menina Carente e Abandonada”, estudante do Instituto de Ciências Religiosas de Angola (ICRA), Moniz Mário Monteiro Marques, segundo lugar, com “Lágrimas do Girassol”, estudante do Instituto Médio de Gestão do Kicolo e Diansambo Zola Miguel Massambo, estudante do Colégio Andala Palanca, que arrebatou o terceiro lugar com  o livro “Perdido na Rua”.  Em 2013, o livro “Pati, a Menina de Rua”, da estudante do Colégio Rivior, Alice da Conceição, do distrito do Kilamba Kiaxi, não foi premiado, pelo facto do júri ter detectado plágio num livro do ensino de base. Neste ano o segundo lugar do concurso coube ao estudante Denilson Cassange do complexo escolar Jas-Chris do distrito do Camama, com a obra “Incomparável Amor de Mãe”. Mauro Reimer Vieira de Oliveira, do Complexo Escolar Paróquia de Santa Ana, na altura estudante da 9ª classe, foi o vencedor do concurso literário “Quem me dera ser onda”, edição 2014, com a obra “O menino que queria um livro”. Em segundo lugar ficou o estudante Sanumbo Valentim Lologo, da escola de Formação de Técnicos de Saúde do Dundo, Lunda Norte, com a obra “A menina Joana”, e, em terceiro lugar, ficou Ebenézer Jerson de Carvalho Borges, igualmente do Complexo Escolar Paróquia de Santa Ana, com a obra “Diala Diangunzo”, que, traduzido em português, significa “homem forte”.

Novela

A designação do prémio é baseada na mais conhecida novela de Manuel Rui, “Quem me dera ser onda”, cujo resumo interessa mais uma vez relembrar: A história se desenvolve em torno da criação de um porco, trazido para resolver os problemas de alimentação de uma típica família luandense, no período que sucede à independência. O animal vai participar, com as crianças da casa, em cenas extremamente divertidas: será escondido do fiscal pelos meninos, tomará parte da brincadeira de roda na escola, ouvirá rádio, correrá e será perseguido na rua, protagonizando situações que, embora nos pareçam absurdas e grotescas, eram possíveis, naquele momento, na cidade de Luanda. O conceito de carnavalização, assim como a construção da paródia no realismo grotesco, encontram eco nas condições culturais de Angola no período do pós-independência. A criação de um porco num apartamento representa, de forma simbólica, a saída dos portugueses de Angola e a mudança de novos hábitos com a independência.
O interesse literário da novela, para além do tema, está na forma e na forte dose humorística como os factos são narrados.

Apelo


Nana de Almeida da União dos Escritores Angolanos e Coordenadora do Concurso “Quem me dera ser onda”, fez o seguinte apelo aos eventuais candidatos ao concurso: “O meu apelo vai primeiramente aos pais, encarregados de educação, tutores e professores dos meninos potenciais concorrentes e não só, que ajudem os meninos a ganhar o gosto pela leitura e escrita, em particular a literária. Para tal, a União dos Escritores Angolanos realiza todos os anos o concurso de escrita infantil no domínio da prosa de ficção para os meninos dos treze aos dezassete anos de idade das escolas públicas, privadas e comparticipadas a nível nacional. Aqueles que já têm os seus escritos apresentem aos professores ou alguém idóneo para uma avaliação preliminar, os que não têm, escrevam e participem com uma estória linda de encantar, com um tema à vossa escolha, que fala sobre a natureza, sobre as pessoas, de uma experiência vivida ou  contada ou simplesmente inventada. O conto não deve passar de oito  páginas e devem evitar o plágio, isso é, não se devem reapropriar de uma  estória ou trecho de livro já existente. Semelhante comportamento leva a anulação da candidatura... Seja o próximo vencedor do concursoliterário  “Quem me dera ser onda”, porque literatura é arte, e arte é cultura…”

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