Cultura

Constelação de estrelas na festa de homenagem à Banda Movimento

Manuel Albano |

A distinção com um certificado de mérito atribuído, domingo, à Banda Movimento, pelo Centro Cultural e Recreativo Kilamba, no âmbito de mais uma edição do programa cultural “Muzongué da Tradição”, marcou o momento da actividade.

Sam Mangwana entre os artistas convidados que animaram a tarde dançante no Kilamba
Fotografia: Eduardo Pedro | Edições Novembro

O Kilamba no Rangel foi pequeno para albergar centenas de pessoas ansiosas em ver a Banda Movimento e os seus convidados, onde foi também recordado o viola baixo Alexandre Lopes “Canhoto”, falecido em Dezembro de 2008.
O espectáculo valeu pelo facto da banda homenageada não ter se limitado a acompanharos cantores Calabeto, Sam Mangwana, Pedrito, Ary e Bangãozinho, que interpretaram canções de Bernardo Jorge “Bangão”, falecido em 2015.
A banda fez um recuo nas décadas de 1970 e 1980, épocas consideradas douradas da Música Popular Angolana. A excepção de Calabeto que interpretou quatro temas, os demais artistas interpretaram dois. Ary, sempre no seu jeito, levou alegria e boa disposição em palco, tornando-se um show à parte.
Dom Caetano brindou os espectadores com “Adeus à hora” e “Muzambu”, enquanto Pedrito, no seu romantismo, interpretou “Realidade” e “Ilumba”. A banda, na voz do Mister Kim (vocalista principal), interpretou canções de Dai Doi (falecido) e Lulas da Paixão.
Em declarações ao Jornal de Angola, o director artístico da banda Movimento, Chico Madne, disse que o momento serviu também para prestigiar e reconhecer o contributo prestado pelo baixista Canhoto, ao longo dos anos em que fez parte da banda, desde a sua formação.
Depois dos discos “Esponaniedades” e “Kufikissa”, a banda, explicou, está em fase de produção do terceiro disco denominado “Tributo” dedicado a Domingos Alexandre Lopes “Canhoto”.
O seu papel na banda, reconheceu Chico Madne , ajudou a tornar o conjunto mais coeso, fruto da sua experiência como artista, deixando um legado às gerações vindouras como resultado das suas cincos décadas de vida.
A banda Movimento, pertencente à Rádio Nacional de Angola (RNA), é constituída por Chico Madne  e Nino Gomes (teclados), Teddy Nsingui (viola solo), Quintino (guitarra ritmo), Mias Galheta (baixo), Romão Teixeira (bateria), Correia Miguel (percussão), Massoxi (voz e dikanza), Mister Kim (vocalista principal), Beth Tavira e Dorgan Nogueira “Gigi” (coros) e Bigodinho (suporte técnico).
Fundada em 1999, por iniciativa do Movimento Espontâneo, com Romão Teixeira (baterista), Quintino (guitarra ritmo), Teddy Nsingui (guitarra solo), Massoxi (percussão), Neto (teclado) e o baixista Domingos Lopes, em 2002 passou a integrar um projecto da Rádio Nacional de Angola, altura em que foi incorporado o teclista Chico Madne.

Percurso da banda

A banda Movimento, desde a sua formação, interpreta  vários sucessos nos género semba, kizomba, kilapanga entre outros ritmos nacionais. Além disso, interpreta músicas de renomados compositores conhecidos do Brasil, da República Democrática do Congo, das Antilhas e dos Estados Unidos.
Entre as músicas que mais interpretam, destaque para canções dos álbuns “Espontaneidade” (2000) e “Kufunguissa” (2006), editados pela banda, de Elias dya Kimuezu, Zé Keno, Augusto Chakaya e dos Jovens do Prenda.
Chico Madne afirmou que tocam sucessos de Bangão e Day Doy, e que as actuações do solista Teddy Nsingui se baseia em êxitos da República Congo Democrático, principalmente de Francó e Tabu Ley RochereauL,   e Beth Tavira e Dorgan Nogueira interpretam Pongo Love, Monik Seka, zouk das antilhas e de Cabo Verde.
A banda Movimento é uma das mais prestigiadas do país, integra também Nino Gomes (teclados), Mias Galheta (baixo), Romão Teixeira (bateria) e Correia Miguel.
O disco de estreia teve as participações vocais de Fiel Didi, Bangão, Dom Caetano, Day Doy. Os últimos três colaboraram no segundo CD, com Lourdes Van-Dúnem, Beto de Almeida, Lulas da Paixão e Gabriel Tchiema.  A banda já actuou no estrangeiro, como sucedeu em 2006, no Mundial de Futebol na Alemanha, bem como no Brasil EUA e Japão.

Ary participa no "Muzongué da Tradição"

Embora a homenagem tenha sido dedicada à Banda Movimento, Ary também subiu ao palco do Centro Recreativo e Cultural Kilamba, no Rangel, para recordar algumas figuras que bem serviram a Música Popular Angolana.

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