Cultura

Contos de Mayembe em “Transcendência”

Manuel Albano

“Transcendência” é o título da exposição multidisciplinar do artista João Mayembe, que está patente no Memorial António Agostinho Neto, em Luanda, até ao próximo mês, com o intuito de utilizar as artes para exprimir inquietações e mostrar à sociedade a importância do património cultural material e imaterial angolano.

Artista explora a arte de uma perspectiva antropológica
Fotografia: CONTREIRAS PIPA | Edições Novembro

 Entre quadros e esculturas, a mostra, aberta na quarta-feira passada, está inserida nas jornadas comemorativas do 17 de Setembro, Dia do Herói Nacional, e na Bienal de Luanda - Fórum Pan - Africano para a Cultura de Paz. Para o pintor, a exposição é uma chamada de atenção às grandes transformações socioculturais que estão a acontecer no país. “O objectivo é levar o público a reflectir sobre estas mudanças, por meio de imagens de personagens e figuras mitológicas africanas, algumas das quais com o risco de serem esquecidas devido a actual contextualização social”, alertou. Embora alguns “críticos” possam considerar o trabalho feito como decorativo, João Mayembe explicou que classifica o mesmo como antropológico, sociológico e mi- tológico. “É uma forma de reflectir sobre o passado dos angolanos”. O artista adiantou que a exposição mostra a simbiose que deve existir entre a arte nativa e a contemporânea, através de uma conciliação entre ideias novas e antigas. A exposição, esclareceu o artista, fica aberta ao público durante 45 dias, com entradas livres.

“Árvore visionária”
Entre os vários trabalhos expostos na mostra “Transcedência”, um dos maiores realces é “Nsandy a Kizonji” (‘Árvore visionária e de aconchego’ quando traduzida do kikongo para o português), uma instalação feita de talha sobre madeira, em tecido kindulo e com um aparelho de som embutido. A peça, contou o artista, procura narrar a história dos três filhos de Nzinga, a quem coube a cada um uma parcela do Reino do Kongo, cujas fronteiras eram demarcadas com a árvore “Nsandy”, símbolo da vitalidade e da firmeza do povo congolês.
A escultura, continuou, mostra três relações sociais: conflito, cooperação, e entrelaçamento familiar, que mantém a dinâmica de toda uma sociedade. Para o artista, o trabalho reflecte o nascimento da ordem, indicando que a sua preservação depende apenas das pessoas.

Tempo

Multimédia