Cultura

Contos de outrora e de hoje são apresentados em livro

Edivaldo Lemos

“O Vendedor de Esperanças: o Perdão” é o título do mais recente livro de Velho Kipacaça, apresentado, na quinta-feira, em Luanda, como forma de mostrar “o choque entre o moderno e o tradicional numa sociedade assente em valores conservadores.”

Fotografia: DR

“O Vendedor de Esperanças: o Perdão” é o título do mais recente livro de Velho Kipacaça, apresentado, na quinta-feira, em Luanda, como forma de mostrar “o choque entre o moderno e o tradicional numa sociedade assente em valores conservadores.”
O livro, apresentado por Miguel Lubuato e Pedro Kachiungo, é a sequência de um primeiro trabalho, publicado em 2017, agora com “um pouco mais de jovialidade, erotismo e uma crítica profunda uma sociedade em transformação.”
Com contos baseados em alguns factos reais, o autor leva o leitor a uma viagem ao século passado, com temas ligados à violência doméstica, solidariedade e circuncisão.
“É outra forma de ver e conhecer a cultura nacional e o modo de estar dos angolanos, por isso o recurso às línguas nacionais e expressões do quotidiano são frequentes”, conta o autor.
O escritor acrescentou estar preocupado com a juventude angolana e os avanços da globalização, cujos efeitos estão a destruir aos poucos os factores de identidade cultural. “Usei a literatura como forma de criticar a falta de interesse pelos valores nacionais, numa altura em que muitos destes princípios já não se fazem sentir.”
“Nós aprendemos a olhar a nossa cultura como algo errado. Somos 100 por cento globalizados, isso preocupa-me. Com a literatura, procuro transmitir os valores da nossa cultura e aquilo que os mais velhos não conseguem transmitir à nova geração”, disse.
O autor acredita que a falta de incentivos dificulta o conhecimento cultural dos jovens, pois “é possível resgatar os valores morais e culturais através da literatura.”
A cerimónia realizada no Hotel Skina foi preenchida com momentos culturais pelo grupo de dança Kina ku Moxi e recital de poesias, com Ismael Farinha e Adão Zina.

Tempo

Multimédia