Contos de Agatha Christie são reeditados


12 de Julho, 2015

Fotografia: Reuters

As adaptações das histórias de crime e mistério de Hercule Poirot e Miss Marple, as duas mais famosas personagens criadas por Agatha Christie, vão sofrer uma mudança brusca na televisão, a partir deste mês, informou ontem a BBC.

As histórias de Hercule Poirot e Miss Marple, que são uma constante da televisão britânica há mais de 20 anos, têm sido apresentadas como entretenimento familiar garantido, sem que os pais tenham de preocupar-se com grandes cenas de violência capazes de deixar perturbados os mais novos.
A BBC informou, porém, que esta atmosfera de “crime soft”, altamente previsível, que sugere mais do que mostra, está prestes a mudar. Este mês, também com base em informações do diário britânico “The Guardian”, a BBC vai começar a exibir uma versão bem diferente das aventuras dos “detectives” menos conhecidos da célebre autora de livros policiais.
O primeiro episódio, feito a partir do livro “Partners in Crime”, realizado por Edward Hall, tem nos papéis principais David Walliams e Jessica Raine e tem sido apresentado como um cruzamento entre “Os Vingadores” (da série da BBC da década de 1960) e Indiana Jones.
“É um thriller a sério, com violência realista e até espiões”, disse Garante Walliams, o actor por trás da ideia que levou esta abordagem televisiva à obra de Agatha Christie, com cenas capazes de assustar os mais novos. Para Mathew Prichard, neto da escritora e actual presidente do fundo que gere os direitos associados à sua obra, a nova série do primeiro canal da estação pública britânica cria uma oportunidade para que as novas gerações se deixem enredar pelos mistérios daquele que é um dos mais populares nomes do romance policial.
“As pessoas esquecem-se que ela era uma escritora muito contemporânea, sempre a atrair novos leitores”, disse Mathew Prichard ao “The Guardian”. Por isso, admite, os herdeiros estavam desejosos de que as adaptações voltassem a ser “joviais e divertidas”.
A escritora britânica, que foi romancista, contista e dramaturga, destacou-se no subgénero romance policial, ao ponto de ter conquistado, popularmente, ainda em vida, o apelido de “Rainha do Crime”. Durante a sua carreira, publicou mais de 80 livros, alguns sobre o pseudónimo de Mary Westmacott.
O Livro dos Recordes do Guiness considera Agatha Christie a romancista melhor sucedida da história da literatura popular mundial, pelo número total de livros vendidos, uma vez que as suas obras, juntas, venderam quatro mil milhões de cópias ao longo dos séculos XX e XXI, números que só ficam atrás das obras vendidas do dramaturgo e poeta William Shakespeare e da Bíblia.
As obras da escritora, informou a organização Index Translationum, já foram traduzidas, em levantamento recente, para mais de 100 idiomas em todo o mundo. O seu livro mais vendido, “Ten Little Niggers” (“As Dez Figuras Negras”), de 1939, é, com 100 milhões de cópias comercializadas em todo o globo, a obra de romance policial mais vendida da história, além de figurar na lista dos livros mais vendidos de todos os tempos, independentemente do seu género.
Agatha Christie foi condecorada em 1971 pela rainha do Reino Unido, Isabel II, com o título de “Dama” do Império Britânico, uma honra equivalente, no contexto feminino, a “Sir”.  Agatha Christie escreveu no total, 72 romances, sendo 66 do género romance policial, e inúmeros contos, reunidos em 14 colectâneas. A autora é constantemente referida pelos seus emblemáticos personagens, incluindo o detective belga Hercule Poirot e a idosa detective amadora Jane Marple, ou Miss Marple.

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