Cultura

Contributo da mulher enaltecido em encontro

Manuel Albano

A troca de conhecimentos entre mulheres de várias gerações sobre o contributo feminino num país de oportunidades no género foi o propósito de um encontro, realizado no espaço cultural “Mamã África”, do casal Aminata Goubel e Lopito Feijóo, em Benfica, para assinalar o 31 de Julho, Dia da Mulher Africana.

Encontro permitiu uma troca de experiências sobre a vida sociocultural da mulher artista
Fotografia: Alberto Pedro | Edições Novembro

Promovido por mulheres ligadas ao mundo das artes, o encontro, que aconteceu na sexta-feira passada, visou a criação de novos factos socioculturais. A actividade começou com a oração de acção de graças, conduzida pela conceituada actriz Totonha, seguindo-se o momento cultural.

Embora ter sido um encontro de mulheres para mulheres, às honras da casa, foi para o trovador Costa Maweza que abriu o momento cultural. O artista preferiu apenas fazer uma viagem alguns dos clássicos angolanos e africanos durante a sua performance.

Em momentos intercalados, muito antes do início do encontro marcado para as 15h00, onde se abordou o “papel da mulher africana na protecção do Covid-19, o grupo de teatro Arte Sol dramatizou a importância da preservação dos costumes e os conflitos geracionais entre o moderno e o tradicional.

Seguiu-se o momento dos depoimentos com a participação de mulheres de vários estratos sociais, como a nutricionista Maria Tuty Taty, que apresentou várias propostas, sobretudo sobre a necessidade de alteração dos hábitos alimentares para uma vida mais saudável, com uma dieta a base de produtos do campo preferencialmente.

Por sua vez, a especialista em cabelo natural Du Gonçalves abordou a importância da valorização do cabelo africano natural, preconceitos, tratamentos e conservação. A encenadora Victória Soares “Totonha”, as actrizes Conceição Diamante, Raquel Dalomba e Solange Feijó, a cantora Bela Chicola, a artista plástica Fineza Teta, que pintou um quadro sobre a importância do uso de máscaras no combate à pandemia, a motivadora social Florinda Miranda, estilistas, educadoras e assistentes sociais, escritoras e jornalistas falaram sobre as suas experiências enquanto mulheres donas de casa e profissionais.

Os quitutes e as bebidas tradicionais não faltaram ao longo do encontro, que observou as medidas de biossegurança sobre a Covid-19, como o distanciamento social, a lavagem das mãos à entrada do espaço “Casa-Museu” e a distribuição de máscaras feitas de panos africanos.

Arte no feminino

Ao longo do encontro, os visitantes estiveram em contacto com uma exposição de peças de artesanato montada no quintal, que retratou a beleza da mulher africana, em especial angolana. A mesma visou celebrar mais um aniversário da jornalista e poetisa Aminata Goubel, a 20 de Julho.

Estavam expostas peças de arte que o casal colecciona há vários anos, e que decidiu partilhar com mulheres de diferentes estratos da sociedade.

De acordo com a promotora do evento, Aminata Goubel, a mostra visou despertar as mulheres para a preservação dos costumes.

Foram partilhadas obras de artes que retratam o feminismo africano, em escultura, colares, pentes de madeira, panelas de barro, sanga de água, vestuário de panos africanos, telas, um jango, chás naturais de kapungopungo, eucalipto e magericão.

Dos vestidos expostos destacaram-se os produzidos com tecidos africanos como samakaka e capulana, de Moçambique, assim como panos de Cabo Verde, Quénia e Tanzânia. No final do encontro ficou o compromisso de se começar a preparar a segunda edição com data e local a indicar pelas organizadoras.

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