Cornélio Caley pede empenho dos jovens

César Esteves |
4 de Setembro, 2016

Fotografia: JAIMAGENS.COM

A literatura não deve limitar-se a uma amplitude definida, tal como noutros países em que a literatura nacional é mais sólida e há forte preocupação de periodização temática.

“Nós, angolanos, que temos poucos anos de vida como projecto de Nação, não podemos perder tempo com temáticas de deleitar”, disse ontem em Luanda o secretário de Estado da Cultura, Cornélio Caley, que representou a ministra da Cultura, Carolina Cerqueira.
A afirmação foi feita na abertura da IV Conferência Nacional sobre Literatura, que decorre no Centro de Formação de Jornalistas (CEFOJOR), organizada pelo Movimento Literário Lev´Arte.
A literatura angolana, segundo Cornélio Caley, tem a missão de se constituir num instrumento de construção da identidade nacional. Disse, igualmente, que foi o desenvolvimento das letras que ajudou, em todo o mundo, a definir as identidades nacionais mais do que talvez qualquer actividade humana, e apontou a necessidade permanente de os escritores, para a construção da nação, escreverem para as crianças.                   
Acerca da IV Conferência Nacional sobre Literatura disse tratar-se de um projecto que já está a dar resultado bastante promissor no campo do conhecimento das identidades locais, do imaginário, do simbólico e do cultural das populações, quer nos textos de ficção, quer nos de poesia e até da ciência.
Ao lançar um olhar sobre a temática literária dos textos que os escritores angolanos produzem actualmente, Cornélio Caley admitiu que os mesmos andam à volta de duas linhas principais: a primeira ressalta a temática da conquista da liberdade, que preferiu considerar como uma linha comummente atribuída à antiga geração, e não consensualmente. 
A segunda linha está relacionada com a pós-independência, onde os jovens escritores detêm um papel importante porque tendem à diversificação temática. “Parece-me sim que a temática da literatura angolana tenderá, evidentemente, a ser mais diversificada por causa da conjuntura internacional em que Angola está inserida ou envolvida.” A conferência teve como objectivo estimular o interesse pela literatura, proporcionar um encontro entre escritores e leitores, e estabelecer um intercâmbio entre os escritores da antiga geração com os jovens escritores.
A conferência dividiu-se em três painéis, sendo prelectores do primeiro Luís Fernando, que falou de “Vanguarda literária versus Comunicação Social”, Jomo Fortunato, “Marcas da literatura angolana nas composições musicais” e Constança Ferreira de Ceita, “Agostinho Neto e a Geração Literária de 40”.
No segundo, Mário Undolo falou de “Termos literários nos discursos jornalísticos” e Teresa Silva, “Literatura e inclusão social”, enquanto do terceiro painel, Luís Kandjimbo, “Oralidade e a tradução cultural na literatura angolana”, e Lopito Feijó, “Tendências e dinamização na nova literatura angolana”.

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