Corto Maltese surge sob outra perspectiva


11 de Outubro, 2014

Fotografia: DR

Juan Díaz Canales (texto) e Rubén Pellejero (desenho) foram encarregados de dar continuidade às aventuras do marinheiro Corto Maltese, criado em 1967 pelo ilustrador italiano Hugo Pratt.

O novo livro, que é apresentado 20 anos após a morte do seu criador, é posto à venda em Outubro do próximo ano. “Hugo Pratt é um ‘adversário’ de respeito e continuar a série é uma tarefa que requer talento e coragem”, disseram.
A história é completamente nova, pois as editoras que o produzem, a espanhola Norma e as italianas Casterman e Rizzoli, apresentam-no como o “próximo episódio” na vida de Corto Maltese interrompida em 1955, com a morte do seu autor.
Apesar de procurarem ser fiéis ao espírito da personagem, assim como ao traço de Pratt, Canales e Pellejero afirmaram que não vão deixar de impor “uma marca de autor” no novo álbum. “Estamos a ser muito meticulosos com a cronologia e a biografia da personagem”, referiu Juan Díaz Canales à agência de notícias espanhola Efe.
A avaliar pelas declarações de Hugo Pratt ao seu biógrafo, Dominique Petitfaux, o italiano não se incomodaria com esta sequela: “não me choca a ideia de alguém, um dia, poder vir a pegar em Corto Maltese.”
Nas páginas do jornal francês “Le Figaro”, as reacções ao anunciado regresso de Corto não se fizeram esperar. O empresário Michel-Édouard Leclerc, admirador confesso deste marinheiro romântico e indomável, disse estar entusiasmado com a possibilidade de apresentar às novas gerações o ícone da banda desenhada com quem aprendeu História e Geografia, cujas principais aventuras andam à volta da II Guerra Mundial.
O empresário acrescentou que compreende as reservas sobre “a tentativa de ressurreição” da personagem, como aconteceu com Tintin, Spirou, Iznogoud, mas que prefere arriscar e vai ler o novo livro. A edição de 2015 significa que “os verdadeiros heróis nunca morrem”, salientou, mas admitiu estar curioso para ver como vão os autores fazer para vestir a pele do mestre que tinha em Corto “um duplo irreverente, culto e sedutor”.
“Sempre achei que Corto não fora feito para ser um herói de museu”, disse.
O autor de banda desenhada Enki Bilal, para quem “Corto Maltese é, antes de mais, Hugo Pratt”, também estar “curioso em relação ao novo álbum”, mas avisou que a “ressurreição da personagem fetiche de Pratt, 20 anos após morte” não o choca.
“Mas é um desafio sagrado. É preciso que os novos autores estejam à altura. O livro não deve tratar-se de uma simples cópia.
Nascido em Malta, em Julho de 1887, filho de uma cigana de Sevilha e de um marinheiro da Royal Navy oriundo da Cornualha, Corto mora oficialmente nas Antilhas, embora passe a vida a viajar pelo mundo como convém a um membro da Marinha Mercante com uma aura misteriosa que tem laivos de pirata e amigos de carácter duvidoso, como Rasputine.
Até Outubro de 2015, destacam os críticos, vão ser muitas as novidades sobre o novo álbum, aguardado com expectativa.

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