Costumes de Pungo Andongo em palco

Manuel Albano |
2 de Setembro, 2016

Fotografia: DR |

A primeira temporada do projecto cultural “Kusanguluka” apresenta a partir de amanhã todos os sábados do mês de Setembro, às 19h00, o espectáculo “O feiticeiro e o inteligente”, pelo grupo Etu Lene.

Na escola Nini ya Lukeny (ex-Jota), no Rangel, para saudar o dia do Herói Nacional, que se assinala no próximo dia 17.
A peça é montada num cenário, de maneiras a transportar os espectadores há um passeio às terras de Pungo Andongo, em Malanje. Os hábitos e costumes daquela pequena vila são explorados durante a encenação, disse, ontem, o encenador Beto Cassua.
Feiticeiro e inteligente, explica, foi fundamentada numa realidade amorosa, onde estão postos à prova a inteligência de um jovem e a astúcias de um ancião. O jovem diz que já tem o peixe pedido por Kamba Mbije, mas que não podia ser entregue nem de dia nem de noite.
As assimetrias  entre a tradição e o moderno, tornam o espectáculo um cenário “perfeito” que nos transporta ao contexto cultural angolano, em particular, e africano, em geral.
No espectáculo, o grupo de teatro demonstra as diferenças ideológicas, através da história do feiticeiro Kamba Mbije que tem uma única filha que, à noite, usa como mulher.  Kamba Mbije impedia a filha de ter um relacionamento amoroso e, para impedir que o jovem que a pedira em casamento se encontrasse com ela, exigia que o mesmo trouxesse um peixe que não fosse nem de água doce, nem de água salgada. Disse que existe um projecto de levar a peça, numa versão ao cinema com a produção de um filme. “Tencionamos gravar a peça num cenário real. Estamos a pensar fazê-lo em Pungo Andongo, com o seu povo, lugares e sítios turísticos”, disse o encenador.

Consagração

Beto Cassua lamentou o facto de a peça nunca ter conquistado qualquer prémio ao longo destes anos: “Depois do sucesso que a peça teve na década de 90, achamos que já era tempo da sua consagração com um distinção. É uma peça que continua actual e a preservar a história de um povo”. A proposta da peça “O feiticeiro e o inteligente”, que tornou o grupo conhecido na década de 90 com esta peça apresentada no programa “Em Cena”, da Televisão Pública de Angola, continua a manter a sua originalidade, garantiu, o encenador Beto Cassua.
Dentro de poucos dias, os munícipes do Rangel ganham mais um espaço de lazer, onde vão ser apresentar várias peças de teatro de grupos da capital e também províncias realçou o coordenador do projecto “Kusanguluka” (animação). Para o responsável, o local com a capacidade para albergar mais de cem pessoas, é mais uma grande oportunidade para trazer e conquistar mais público ao teatro e torna-lo numa actividade dinâmica daquela escola. “Um dos objectivos do projecto é também a descoberta de talentos entre os alunos da escola, por formas a garantirmos a continuidade”.
O projecto, argumenta, surgiu no âmbito dos apelos que os ministérios da Cultura e da Educação, bem como, o Governo da Província de Luanda têm feito as instituições públicas e privadas, no sentido de se criarem parcerias com os fazedores de arte para se aproveitar e explorar melhor todos aqueles espaços inactivos.

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