Cultura

CPLP financia documentários

Francisco Pedro

Os produtores e realizadores angolanos podem inscrever projectos de documentários, até 6 de Abril, para concorrerem na terceira edição do programa audiovisual Doc-Tv-CPLP, lançado em Mapu-to, em Fevereiro, restrito a candidatos da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Cenas do documentário do realizador Dias Júnior vencedor da edição 2009 do DocTv
Fotografia: DR

De acordo com os organizadores, a III Edição do DocTv-CPLP vai permitir seleccionar nove documentários com carácter inédito, culturalmente diversificados e de elevada qualidade artística.
Os interessados devem se inscriver através do site “www.cplp.org”. O programa  visa fomentar a produção e a teledifusão de conteúdos audiovisuais nos Estados membros.
Além de candidatos angolanos, podem concorrer produtores e realizadores do Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
Com este Programa, os produtores e realizadores angolanos encontram uma oportunidade e espaço para desenvolverem as suas habilidades e conhecimentos, em prol de um objectivo comum de capacitação e promoção da sétima arte nos países da CPLP.
Esta terceira edição tem como meta a produção de nove documentários de 52 minutos, a difusão pelas televisões públicas da Rede CPLP Audiovisual. O programa assume-se, ainda, como uma oportunidade para os cineastas angolanos e os seus pares se beneficiarem de fundos para a produção de suas obras, muitas vezes com dificuldades de financiamento para a sua execução, pois a DocTv-CPLP representa um investimento de 50 mil euros por documentário.
Após a constituição dos Pólos Nacionais, um em cada país, responsáveis pela im-plementação do programa, sob coordenação do Instituto Nacional de Audiovisual e Cinema de Moçambique (INAC) e pela Televisão de Moçambique (TVM ), segue-se a fase da inscrição até 6 de Abril, depois seguir-se-ão as fases de selecção, contratação de projectos, produ-
ção das obras, planeamento de difusão e finalmente a própria difusão, esta última, a decorrer em 2019.
O programa é também um espaço para estimular o intercâmbio cultural entre os povos da CPLP, implantar políticas públicas integradas de fomento à produção audiovisual, fo-mentar a troca de experiências entre criadores e produtores audiovisuais dos países de língua portuguesa, difundir a produção audiovisual realizada na CPLP no mercado mundial e oferecer às plateias internacionais conteúdos audiovisuais que apresentem uma visão contemporânea dos países de língua portuguesa no mundo.
Em Moçambique, o programa já financiou a produção de três obras, com um valor global de duzentos e cinquenta mil euros, designadamente, o filme “Timbila e Marimba Chope”, de Aldino Languana, em 2009, “Djambo”, de Chico Carneiro e “No dia em que explodiu Mabata Bata”, de Sol de Carvalho, ambos na edição de 2015 que contemplou o DocTv e o FicTv.

Primeira edição
Angola beneficiou de financiamento na primeira edição do DocTv-CPLP, em 2009, que resultou na produção do documentário “Nos Trilhos Culturais da Angola Contemporânea”, do realizador Dias Júnior, um dos mais proeminentes realizadores da segunda geração do cinema e audiovisual em Angola.
O actual percurso ferroviário entre Lobito e Cubal é o cenário de fundo do documentário “Nos Trilhos Culturais da Angola Contemporânea” , cuja estreia teve lugar em 2010, no Centro de Formação de Jornalistas, em Luanda.
O filme tem como actor principal Orlando Sérgio, que no decurso da história viaja e aprecia a vivência dos benguelenses diante do vai e vêm do comboio. Ideia original de Orlando Sérgio, argumento de Miguel Granjeia, uma produção da Dread Locks.
 Na ocasião, Dias Júnior havia afirmado que o filme tem uma importância histórica, pois revela memórias do Caminho-de-Ferro de Benguela, e mantém viva a memória dos feitos de antigos funcionários, muitos já aposentados, o ambiente dos passageiros, de estação a estação, as oficinas gerais no Huambo, que fabrica peças, e os pontos turísticos que documentam o gigante adormecido de uma das mais importantes linhas férreas de África, com mais de mil e trezentos quilómetros, ligando Angola ao Congo Democrático.
“Nos Trilhos Culturais da Angola Contemporânea” teve direcção de fotografia de Cláudio Jorge, som de Luís Gaspar, secretaria de produção de Jaqueline Mota, edição de Bernardo Tambi e música do Duo Canhoto.
O filme foi transmitido pela TPA, além de outros documentários financiados pela CPLP: “Exterior” (Brasil), “Eugénio Tavares – Coração Crioulo” (Cabo Verde), “O Rio da Verdade” (Guiné-Bissau), “Timbila e Marimba Chope” (Moçambique), “Li Ké Terra” (Portugal), “Tchiloli – Identidade de um Povo” (São Tomé e Príncipe), “Uma Lulik” (Timor-Leste) e “O Restaurante” (Macau).

  Filosofia do programa estabelece intercâmbio

O programa é, também, visto como uma actividade que se realiza no âmbito do Plano Estratégico Multilateral da CPLP e tem em vista estabelecer um intercâmbio cultural através de actividades mais concretas da realidade dos países membros, como é o caso de contos, lendas, hábitos tradi-
cionais, entre outros que ao mesmo tempo retratam os fortes laços que  a CPLP partilha. O evento é por conseguinte, uma oportunidade de relançar a cultura no centro de debates sobre a identidade, coesão social e o respeito pela diversidade, tendo, por conseguinte, a crescente importância que assume nas relações de cooperação e de intercâmbio, fundada no interconhecimento e compreensão recíproca entre os homens. É igualmente reconhecido o papel relevante que a cultura assume no contexto internacional, enquanto direito dos povos, pois contribui activamente para a construção da identidade colectiva, a transmissão de conhecimentos e saberes, bem como para a geração de renda e produção de riqueza.

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