Crescimento desigual das cidades em exposição


27 de Dezembro, 2014

Fotografia: Divulgação

O Museum of Modern Art (MoMA), em Nova Iorque, realiza, desde ontem, uma série de exposições sobre as questões contemporâneas da arquitectura, com o lançamento de “Uneven Growth”, o terceiro projecto desta série, criada como uma plataforma de expressão desta arte.

A ideia, defendeu a direcção do museu, é criar novas soluções e mostrar ao público que a população mundial pode atingir os oito mil milhões de pessoas até 2030 e desse número, dois terços vão viver em cidades, muitas em situação de pobreza, ou de recursos limitados.
A escolha das cidades, dentre as quais Bombaim, Lagos, Hong Kong, Nova Iorque, Istambul e Rio de Janeiro, que serviram como casos de estudo das equipas, compostas de arquitectos, urbanistas, activistas, historiadores de arte e teóricos, foram pensadas por Pedro Gadanho, o curador de Arquitectura do MoMA.
Durante 14 meses, as equipas que juntaram 12 colectivos de arquitectos definiram novas soluções urbanas para responder ao crescimento desigual destas megacidades. O resultado é “Uneven Growth: Tactical Urbanisms for Expanding Megacities”, que está nas galerias de Arquitectura do MoMA até ao final de Maio de 2015.
Além de oferecer soluções finais ou globais para problemas de planeamento urbano, a mostra procura lançar a discussão para aspectos que podem, ou não, ser endereçados por arquitectos. “É importante começar a trabalhar para a cidade enquanto um todo e para outras camadas sociais que não os cinco por cento de clientes que têm uma maior capacidade de a desenvolver”, defendeu o curador Pedro Gadanho.
Acima de tudo, o que interessa ao curador é perceber como se podem estabelecer colaborações de conhecimento local e global e criar novas visões e soluções através da combinação inesperada de perspectivas.
A abordagem de Pedro Gadanho tem sempre um lado de provocação, seja pelas discussões que procura criar, ou a forma como apresenta a sua visão. Neste caso, o risco estava na promoção de colaborações entre pessoas que normalmente surgem como autores singulares. Com a liberdade para apresentar respostas realistas ou criar uma realidade alternativa, o curador deu também espaço às equipas que nalguns casos, como Lagos (Nigéria) e Bombaim (Índia), responderam mais directamente aos problemas das cidades e noutros, como Hong Kong, avançaram num plano de ficção.

Viagem pelas cidades

Assim que se entra nas galerias de Arquitectura do MoMA, ouvem-se sons metálicos, ruídos da cidade, de um bairro de lata, de um prédio em construção. Fotografias e vídeos transportam-nos para Dharavi, bairro-favela de Bombaim, as imagens de um piso ilegal em construção e o ambiente imerso fazem esquecer que se está em Nova Iorque.
“De certo modo, interessava-me a quebra de um ambiente típico de museu, possibilitar a entrada num mundo diferente”, confirma Gadanho. Para pensar Bombaim, o curador juntou os URBZ, um grupo local que trabalha activamente com a comunidade em projectos de extensão de edifícios privados, e os POP Lab (Madrid), equipa que se tem debruçado sobre as mega-estruturas ao nível das infra-estruturas. É das diferenças entre os dois grupos que surge uma solução nova para a cidade, que propõe o crescimento da zona “mas sem produzir a típica torre e sem expulsar as pessoas que vivem em Dharavi”.
Esta composição urbana, no fundo, não é assim tão diferente de outras que nascem da pequena estrutura da vila de ruelas apertadas. A apropriação do que existe, em vez da sua erradicação para criar novos espaços, é um dos pontos comuns às propostas apresentadas para as seis metrópoles.
“Bombaim é uma cidade de favelas e arranha-céus, quase bipolar, onde construções informais continuam a surgir de forma desproporcional. As casas são usadas como residências e espaços de trabalho, mostrando uma ocupação produtiva dos bairros”.
Este mesmo cenário repete-se em Lagos, onde a maior parte dos habitantes constrói as suas próprias casas e lugares de negócio. “Esta é uma parte muito importante do ponto de vista produtivo, onde acontece muita da actividade económica da cidade. As construções têm avançado sobre a água e uma vez mais a tendência era arrasar esta parte ilegal e construir de novo, mas aquilo que se está a propor é usar alguma da criatividade já existente nesta forma de fazer e melhorar, o que revela uma sensibilidade e entendimento diferentes do habitual”, nota o arquitecto e curador da mostra.

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA