Criação artística debatida em conferência

Manuel Albano |
23 de Abril, 2017

A criação nas danças folclóricas como obra de arte, ferramentas básicas para composição coreográfica nas danças recreativas e a dança no processo de aprendizagem são algumas das preocupações apresentadas na primeira conferência “Passos Cruzados”, que encerra dia 29, no Museu de História Natural, em Luanda.

O coordenador do projecto Corrente Dançante, Maneco Vieira Dias, disse, ontem, ao Jornal de Angola, que a conferência permite aumentar os conhecimentos técnicos e teóricos dos grupos de dança sobre elementos para produção de espectáculos de dança e direcção artística, temas que têm preocupado a classe artística nacional.
A conferência, que teve início dia 15, disse Maneco Vieira Dias, e visa encontrar soluções para o desenvolvimento da dança e união dos artistas. A coreografia, como pano fundamental da actividade, disse Maneco Vieira Dias, tem possibilitado dar aos participantes novos conhecimentos e técnicas sobre o processo evolutivo das danças tradicionais e contemporâneas.
A conferência propôs os temas “A composição na dança” ou “Coreografia”, que estão em estreita ligação com os outros assuntos a serem abordados nas oficinas e palestras, com destaque para a “Profissionalização e a gestão de carreiras dos artistas”, “As obras de dança no carnaval”, “Processo de criação em dança contemporânea” e “Processo de criação nas danças urbanas”.
De acordo com o programa da actividade, realizou-se, ontem, duas palestras, no Museu de História Natural. A primeira subordinada ao tema “A Dança no Processo de Ensino e Aprendizagem” vai ser proferida pelos coreógrafos Rossana Monteriro, Minerva Jaka e Inocência José de Oliveira. A segunda com o tema “Internacionalização das Danças Angolanas e a Gestão de Carreiras dos Artistas” são oradores: Diogo Colombo, Nelson Augusto e Manuel Kanza.
“A internacionalização das danças angolanas e gestão de carreiras: individual e colectiva” e “Critérios de organização e classificação no  desfile competitivo do Carnaval de Luanda (do detalhe técnico à criatividade do grupo)” são outros assuntos que a organização pretende contribuir para que as peças a serem apresentadas sejam obras de arte e possam deixar um legado positivo para as gerações vindouras. O cooordenador do projecto destacou o facto de os bailarinos, coreógrafos, professores de dança, académicos, promotores, empresários e público poderem trocar experiências. Na conferência, que se realiza no período da manhã das 9h00 às 12h00 e à tarde das 14h00 às 17h00, os temas apresentados nos seminários e palestras são teórico-práticos, em períodos diferentes, de forma a possibilitar a participação de um maior número de pessoas em função das actividades laborais.

“Um lugar comum”


Maneco Vieira Dias disse que na abertura da conferência foi exibido um espectáculo de dança com o título “Um lugar comum”, promovido pelo Colectivo Uníssono, apresentado com uma coreografia com base em danças tradicionais, explorando as novas tendências das danças contemporâneas.
Maneco Vieira Dias explicou que o espectáculo foi produzido e montado de maneira a mostrar a dinâmica dos dias actuais, onde o factor solidariedade tem caído no esquecimento.
O espectáculo mostra a vivência das grandes cidades, onde cada elemento se encontra “fechado na cápsula dos seus afazeres”,  envolvido num espaço, que, ao contrário do que parece, é comum a cada um e a todos. O cenário é apresentado por quatro bailarinos com diferentes vivências corporais, pretendendo levar ao reconhecimento diferentes realidades sociais, passando todos pelos mesmos dilemas e vicissitudes. “É um espectáculo que vai continuar a ser explorado noutros locais, trazendo ao público uma reflexão sobre o contexto actual sobre os sonhos, vontades, medos e vaidades.”
O espectáculo “Um lugar comum”, disse, é uma visão da bailarina Huíla Samara, inserido no projecto artístico-cultural do Colectivo Uníssono, que pretende apresentar novas linhas de criação e exibição artística, passando pelo desenvolvimento de trabalhos de dança contemporânea com temas que apresentem um teor social e actual.
Foi criado a pensar na necessidade da realização de actividades que ajudem a promover, desenvolver e se dar uma maior atenção às artes cénicas, particularmente a dança, como resultado da sua desvalorização.
O espectáculo teve a direcção artística e coreográfica de Huíla Samara e Aneth Silva e contou com a participação dos bailarinos Aneth Silva, Félix Alvarez, Huíla Samara, Miguel Carlos e Renato Chaves. O texto sobre os argumentos da peça é da autoria da coreógrafa Aneth Silva.
O projecto Corrente Dançante pretende criar encontros e ciclos de formação com a intenção de, cada vez mais, propiciar a troca do conhecimento entre os bailarinos, coreógrafos, professores e o público.
A conferência visa saudar o Dia Mundial da Dança, que se assinala a 29 de Abril, data criada em 1982  pelo Comité Internacional da Dança (CID) da Unesco, em homenagem ao francês Jean-Georges Noverre (1727-1810), bailarino e professor de ballet, que se destacou na história da dança por ter escrito um conjunto de cartas sobre o ballet da sua época.

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