Criação do estatuto do museu é base prioritária


22 de Maio, 2016

Fotografia: Santos Pedro

A criação do estatuto do museu para a região centro e sul do país deve ser uma das prioridades das instituições museológicas, defendeu ontem o director nacional dos Museus.

Ziva Domingos pediu ao Governo do Huambo para trabalhar mais com o Ministério da Cultura para que esse objectivo seja obtido.
“É uma das formas de dar maior autonomia a estas instituições e aumentar a capacidade de criarem os seus próprios projectos culturais”, destacou Ziva Domingos.
O director, que foi o orador de uma palestra sobre “Gestão actual dos museus de Angola”, admitiu as dificuldades causadas pela falta de um estatuto próprio e o condicionamento causado ao pleno funcionamento dos museus do centro e sul do país.
A criação de um estatuto, acrescentou, permitiria aumentar o número de quadros especializados e o acervo de cada instituição. “Ainda existe muito trabalho a ser feito em relação à recolha de peças museológicas entre a população e dasua sensibilização quanto à importância dos museus. Este documento vai dar outro alento”, justificou.
Ziva Domingos mostrou também a sua preocupação em relação à degradação do museu local, bem como o seu reduzido acervo e à intervenção do Governo. “Os museus devem ser vistos como espaços de socialização do conhecimento e da formação da identidade sociocultural do homem, através da educação patrimonial. Por isso, precisam de maior atenção de todos”, rematou.

Falta de verbas

O projecto Museu Itinerante, uma iniciativa do Museu Regional da Huíla, iniciado em 2012, está paralisado há três anos por falta de verbas, informou, ontem, no Lubango, a directora da instituição. Soraia Ferreira disse, por ocasião dos 57 anos da fundação do Museu Regional da Huíla, que a instituição está destinada a divulgar às comunidades o acervo etnográfico.
“Esforços estão a ser feitos na busca de verbas, junto de instituições públicas ou privadas, para a sua efectiva materialização”, argumentou. Sem avançar detalhes, Soraia Ferreira anunciou, por outro lado, estar em carteira vários projectos essenciais que visam dinamizar e colocar em prática os desafios de tornar o Museu Regional mais abrangente e desenvolvido. O Museu Regional da Huíla tem em exposição, desde a sua reabertura em 2008, 300 peças etnográficas e 1.526 de artefactos, alguns já inventariados, mas muitos deles ainda desconhecidos.

Exposição

Uma exposição de artefactos arqueológicos, denominada “Arqueologia- uma das principais fonte de informação da terra e da evolução humana” decorre há uma semana na cidade de Benguela, no âmbito do 18 de Maio, Dia Internacional dos Museus.
O director  do Museu Nacional de Arqueologia afirmou que a exposição estará patente ao público até ao dia 27. Paulo Valongo informou que a instituição tem uma colecção com mais de nove mil artefactos líticos e outros em cerâmica e ossos. O museu realiza ainda concursos sobre a historia de África, de Benguela, da instituição e do Conselho Internacional de Museus (ICOM)entre os estudantes das escolas do II ciclo.
As actividades encerram com uma palestra no Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED) de Benguela sobre “Cachama-1: um habitat humano neolítico”.
O Dia Internacional dos Museus, criado pelo Conselho Internacional de Museus (ICOM ), em parceria com a Organização das Nações Unidas e a UNESCO, serve para reforçar o compromisso dos governos em promover e proteger o património natural e cultural, presente e futuro, assim como realçar o seu papel no actual contexto das sociedades.

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