Cultura

Criações nacionais patentes em Paris

Mário Cohen

Francisco Van-Dúnem “Van” e Ricardo Kapuka são os pintores nacionais escolhidos para representar, este ano, o Espaço Luanda Arte (ELA) na Feira de Arte e Design de Also Known as Africa (AKAA), que acontece no Le Carreau du Temple, em Paris, de 9 a 11 de Novembro.

Fotografia: DR

A informação foi dada ontem, em Luanda, numa conferência de imprensa, durante a qual foi explicado que a galeria, além de expor obras de angolanos vai também levar trabalhos de artistas de São Tomé e Príncipe, como René Tavares, e do Brasil, no caso o artista No Martins.

Para esta edição, acrescentou, Dominick Tanner, o ELA pretende estar representado com trabalhos capazes de reflectir a memória colectiva e a identidade africana, através de um conjunto de 20 obras, que ficam patentes durante três dias, na capital francesa.
Dominick Tanner disse que esta é a quarta vez que o ELA leva criações de artistas representados pela galeria a Paris e a terceira participação na feira, a única em França dedicada à arte contemporânea oriunda de África. Este ano, avançou, participam 44 galerias. “Angola vai ocupar o pavilhão C13”, disse.
A grande novidade, continuou, é a presença do artista Ricardo Kapuka, oriundo de Benguela, como forma de provar o actual desenvolvimento das artes nacionais. As experiências obtidas nas residências artísticas, nacionais e internacionais, como a “Angola AIR”, criada pelo ELA, estão a ajudar os artistas angolanos a terem maior domínio de técnicas, que, no futuro, os ajudarão a conquistar outros mercados.
Para o director do ELA, o interesse de muitos destes artistas, que já começam a demonstrar uma nova fase na criação contemporânea angolana pela pesquisa, é um factor decisivo na busca pela afirmação da identidade por intermédio da arte.
Mercados emergentes, destacou, como o norte-americano ou o brasileiro, devem ser os alvos para muitos destes artistas, de forma a não ficarem limitados ao espaço nacional. Assim, prosseguiu, projectos colectivos, como “Histórias Transatlânticas”, cujo foco inclui obras de ficção, ou não, narrativas pessoais, políticas, económicas, culturais e mitológicas, ligadas à realidade social dos artistas, surgem como uma oportunidade de mostrarem todo o potencial.
“São projectos baseados em assuntos extensos e complexos, capazes de incentivar novos debates e perguntas sobre a África, quer para os natos, ou os que residem na diáspora. É uma forma de reconsiderar e reexaminar a História pela arte”, disse.
Ricardo Kapuka disse ser “um privilégio ser escolhido para representar o país, mesmo sendo difícil fazer arte em Benguela, devido à falta de espaços e incentivos.”

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