Criações artísticas geram rendimento

Francisco Pedro |
18 de Dezembro, 2014

Fotografia: Francisco Pedro

A coordenadora da Feira de Artesanato Urbano de Angola, Virgínia Inglês, afirmou ser rentável a venda de artesanato no país, uma das razões que justificam o aumento de pessoas interessadas em produzir peças de artesanato urbano.

“Como uma das organizadoras, posso afirmar que existem artesãos que hoje conseguem viver da sua arte”, realçou Virgínia Inglês, momentos depois de festejarem os três anos de existência da Feira de Artesanato Urbano de Angola, realizada na Ilha de Luanda.
A Feira realiza-se uma vez por mês, no primeiro sábado, e nela são vendidos objectos de marca angolana, entre bijuterias, roupas, chinelas, utensílios domésticos, peças de vidro, papel e metal, recicladas, quadros, esculturas e panos decorativos.
Embora surjam vários pedidos dos visitantes para que a Feira seja quinzenal ou mesmo semanal, a organização prefere manter a periodicidade mensal para garantir qualidade nos trabalhos e conferir tempo suficiente aos seus criadores, aumentando desse modo as obras expostas para venda.
“Não queremos que a Feira perca qualidade, fazendo duas ou mais edições por mês”, disse Virgínia Inglês, reconhecendo que enquanto artista e membro da organização da Feira, há muito a aprender sobre o universo da produção de artesanato, comercialização e promoção.
Os três anos foram positivos, tiveram muitos benefícios que permitem afirmar que vale a pena promover essa arte, em prol do desenvolvimento turístico e económico do nosso país.
Alguns colegas começaram a produzir artesanato como passatempo e actualmente fazem dessa arte a principal fonte de rendimento. A realização da Feira na Ilha de Luanda tem sido uma porta aberta para os artesãos, porque recebem visitantes de vários estratos sociais, com destaque para membros do Executivo e diplomatas, e muitos deles formulam convites para venderem noutros espaços e eventos.
“Esses desafios obrigam-nos a que sejamos profissionais e por isso precisamos de tempo suficiente para produzir obras com qualidade”, argumentou, tendo reafirmado que vão manter-se no Calçadão da Ilha de Luanda por ser um local economicamente viável, além de se juntar o turismo, porque os visitantes geralmente são amigos ou famílias que decidem ir passear na Ilha.
A Feira tem o reconhecimento da Secção de Cultura da Administração Municipal da Ingombota. Os preços variam bastante, permitindo que qualquer pessoa tenha poder de compra, sendo os artistas autênticos na definição dos preços das suas obras.
“Vem muita gente e de diferentes estratos sociais. Em média, acolhemos 40 expositores (tendas) em cada uma das edições, mas sempre com tendência de crescer.”
A extensão da Feira para outras províncias é uma das perspectivas no próximo ano, desde que a organização encontre parceiros sérios e profissionais do ramo. Virgínia Inglês disse ter fé de um dia realizar em simultâneo em Luanda e noutras províncias. “Precisamos de colaboradores responsáveis, nem que seja numa só província.”
 
Última edição do ano

    
Em Dezembro, ao contrário dos outros meses, realizam-se duas edições. A última, a 37ª edição, realizou-se no dia 13, porque em Janeiro não há Feira em função das festas de Ano Novo. “Este mês fizemos duas edições, nos dias 6 e 13, por causa das festas. Luanda recebe muitos turistas, assim como vê partir tantos outros que viajam para o exterior do país, para passarem as festas de Natal e Ano Novo”, realçou a coordenadora, lembrando que se trata de uma dupla oportunidade para que os citadinos possam adquirir artesanato urbano de qualidade na quadra festiva podendo resultar “em prendas únicas e cheias de charme”.
A comissão organizadora considera Dezembro um mês especial por ser o mês do aniversário da Feira e ser ao mesmo tempo um mês festivo para todos. “Por esta razão uma só edição não nos parece suficiente para que possamos comemorar com toda a gente o nosso terceiro aniversário”, acrescentou a artesã. 
O local não serve só para compra dos produtos mas também para convívio entre crianças, jovens e adultos que lá se cruzam.

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