Cultura

Criadas condições técnicas para reabilitar os imóveis

Francisco Pedro|

O concurso público para a requalificação do Cine Nacional, da ex-Tourada, e da antiga Assembleia Nacional, vai ser lançado em breve, de acor-do com a decisão da Comissão Multissectorial, que concluiu estarem reunidas as condições técnicas.

Interior da sala do Cine-Teatro Nacional classificada Património Histórico Cultural em 1994
Fotografia: DR

A Angop cita que a Comissão Multissectorial, coordenada pela ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, reuniu na terça-feira e os membros concluíram estarem reunidas as condições técni-cas para o lançamento público dos concursos. Durante o encontro, foi analisado e aprovado o relatório final dos trabalhos da comissão, que vai ser submetido ao Presidente da República.

Restauração
O antigo edifício da Assembleia Nacional vai ser transformado em Palácio da Música e do Teatro. Na época colonial, era o Cine-Teatro Restauração, depois da independência nacional passou a ser o edifício da Assembleia do Povo e mais tarde Assembleia Nacional.
O mais emblemático, com três salas, o Cine-Teatro Restauração albergava a sede de um famoso programa de rádio, “Chá das Seis”.  Era, também, no tempo de outras salas históricas: os cinemas Avis (Cine Karl Marx), Miramar, África, Império (Cine Atlântico), São Paulo , Tivoli, Kipaka, Ngola Cine e o histórico Cine Colonial.
No site Património de Influ-ência Portuguesa, os articulistas José Manuel Fernandes e Elisiário Miranda descrevem assim o Cinema Restauração:  “O edifício do antigo Cine‐Teatro constitui um forte volume urbano, de expressão algo pesada, mas assumindo um desenho moderno, com uma torre fina e abstracta rematando um longo e denso corpo horizontal.
Foi projectado pelos irmãos arquitectos João Garcia de Castilho (1915‐2007) e Luís Garcia de Castilho (com o engenheiro António Castilho), tendo sido concebido e construído entre 1946 e 1952 (data da inauguração). Com uma linguagem referenciada à arquitectura de Frank Lloyd Wright e de Willem Dudok. Para além da sala de espectáculos, o programa funcional compreendia inicialmente um restaurante‐bar‐dancing em dois pisos e uma esplanada na cobertura. Sofreu diversas alterações antes e depois da independência...”

Nacional
O Cine-Teatro Nacional, onde funciona a Associação Recreativa e Cultural Chá de Caxinde, é tido como a sala-mãe de todas as salas de teatro do país. Por lá passaram as mais famosas turmas ou grupos de música, teatro, declamadores de poesia e jogral, além da exibição de filmes que marcaram épocas quer no período colonial quer no pós-independência.
Trata-se do espaço em que ocorreram mais cruzamentos de culturas: a angolana com a europeia e não só. Situado em plena Baixa de Luanda, defronte a antiga e famosa Casa Americana, hoje Universidade Lusíada, o Cine-Teatro Nacional é um espaço único no país com especificidades da arquitec-tura barroca. Inaugurado no dia 1 de Janeiro de 1932, foi a primeira sala de cinema e de teatro de Luanda, cujas cortinas abriram-se para famosos artistas. A obra pertence ao arquitecto portu-guês Vasco Vieira da Silva, um dos mais consagrados do período colonial, em função do estilo.
A sala dispõe de 896 lugares, incluindo plateia, camarotes decorados em Arte Deco, com pisos de madeira, painéis e cadeiras. A abertura ficou marcada com a actuação da Companhia Hortense Luz, a primeira a pisar o palco mítico. Ao longo do tempo, so-freu mudanças na decoração e não no traçado, o que permitiu que fosse reconhecida pelo Ministério da Cultura, que o classificou, a 27 de Setembro de 1994, como Património Histórico-Cultural.

Tourada
Nos últimos anos, o Ministé-rio da Cultura previa a construção de um centro cultural, com serviços de biblioteca e cinema, entre outros. Depois, refez o plano para um outro com menos esforço financeiro, seria a requalificação da estrutura circular, abrangendo a zona circundante, para conferir outra imagem ao local.
Antiga Praça de Touros de Luanda, foi inaugurada a 1 de Março de 1964, mesmo sem estar concluída. Após a independência, o Ministério da Cultura assumiu a gestão e passaram a realizar-se, esporadicamente, espectáculos, alguns deles trouxeram ao país nomes famosos da música estrangeira, como foi o caso do primeiro projecto, em 1980, denominado Kalunga, entre Angola e o Brasil, com Chico Buarque, Martinho da Vila, Dona Ivone Lara, Djavan, Miúcha, Cristina Buarque, João do Vale, Francis e Olívia Hime, Geraldo Azevedo, Quinteto Violado, Wanda Sá, MPB-4, Conjunto Nosso Samba, Edu Lobo e João Nogueira, Alcione, Clara Nunes e Elba Ramalho.
O palco testemunhou, ainda, a actuação de  Matadidi Mário Mwana Kitoko, Sam Manguana, Luambo Makiadi “Franco” e a sua orquestra TP OK Jazz.

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