Cultura

Criadores mostraram inovações nas artes

Amilda Tibéria

Arte e inovação é a proposta apresentada por um grupo de artistas plásticos da nova geração. O desafio, sequência do projecto “Fuckin’ Globo”, patente no Hotel Globo, na Baixa de Luanda,  permitiu ao público conhecer, até ontem, as inovações estéticas da actual geração.

Projecto “Fuckin’ Globo” é uma forma de ocupar pela arte o espaço do antigo hotel
Fotografia: Agostinho Narciso | Edições Novembro

Com focos dirigidos para o quotidiano e o “eu”, a exposição traz desafios únicos. Entre os de maior destaque estão o “Purgatório”, de Thó Simões, e “Utopia em Terra Queimada”, de Kiluanji Kia Henda, em parceria com João Ana, Orlando Sérgio e Gretel Marin.
O projecto, que vai na sua quarta edi-ção, contou com nomes de relevo da nova geração de artistas, como Alekssandre Fortunato, que apresentou “Um gostinho disto”, Edson Chagas, e as suas “Gaiola do Pássaro Paraplégico”, Lola Keyezua, com a “Exonerada”, Toy Boy, e o “Peso em contra peso”, Ery Claver e Gretel Marinha, com “Lúcia no céu com Semáforos”, e Colectivo Verkron, com “Anarquia 33”.
A mostra “Fuckin’Globo” é uma iniciativa colectiva e trouxe  um pouco do melhor de duas gerações, com a obra “Unbalanced”, de António Ole. Para Kiluanji kia Henda, um dos mentores do projecto, o objectivo foi cumprido, por ajudar a criar um título “ousado e pretensioso”.
“A ideia foi apresentar às pessoas reflexões inovadoras e introspectivas. Apesar de ter sido pensado por um grupo de amigos, vemos que conseguimos conquistar o público e ter um espaço onde podemos exercer liberdade estética”, disse.
Uma das atracções desta edição foi o “Purgatório”, de Thó Simões. Como o resultado da sua experiência pessoal, o trabalho “prendeu” o público. “Estive detido durante três semanas. O que procurei mostrar às pessoas foi isso. Como nos sentimos quando somos confinados. Acredito que, pela reacção, consegui atingir o propósito”, explicou.
A maioria das pessoas, em especial os jovens, disse, não tem noção do que é perder a liberdade, porque geralmente vêm a cadeia como um processo transitório. “Elas não são detidas por vontade própria. Muitos acreditam na sua inocência e outras são vitimas das circunstancias. Mas o processo em si, por mais simples que seja, deixa uma marca na psique. É essa experiência que trouxe ao Hotel Globo”, continuou.
“Fucking’ Globo”, para os organizadores, é também uma forma de ocupar o espaço do antigo hotel, que tem sido uma zona de experimentação e um contraponto para a excessiva institucionalização da cultura. Os artistas que compõem cada edição abraçam a ideia de intimidade, criada pelos quartos do hotel onde os trabalhos ficam expostos, e criam novos espaços de linguagem visual e artística.
Nos quartos reservados à exposição, dizem os organizadores, parecem desenrolar-se pensamentos sobre a cidade e o país actual, "surgem as dúvidas e os questionamentos de pessoas, artistas que fazem de Luanda a sua cidade.”
As linguagens diversas dos artistas convidados, adiantam, reflectem um pouco de tudo que nos faz humanos e sujeitos deste tempo. “Há uma aproximação entre a arte e a vida, nesta edição. O mote é uma tentativa de equilíbrio entre o público e o privado, o intimo e o político, partilhados e pensados como matéria em comum.”
Desde 2015, o Fuckin'Globo tem ocupado os quartos do Hotel Globo, na Baixa de Luanda, num edifício dos anos 50 do século XX, entre a Avenida Rainha Ginga e a Rua Comandante Veneno, acrescenta a curadora.
O programa da exposição reservou a realização de um debate subordinado ao tema: “Adaptação à sempre mutável realidade política”, com a participação de José Mena Abrantes, Paula D'Alma, Kiluanji Kia Henda, António Ole, Suzana Sousa, Mbuta Zawua e André Cunha.

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