Criadores reclamam direitos

Roque Silva |
14 de Setembro, 2016

As três principais associações culturais angolanas de utilidade pública que representam a classe artística no país defendem a criação de uma liga nacional, visando a defesa dos interesses comuns dos seus membros, junto das instituições e entidades do Estado.

A intenção foi avançada, ontem, no final de um encontro realizado, em Luanda, que contou com a participação de representantes do Ministério da Cultura, da União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP), dos Escritores Angolanos (UEA) e dos Artistas e Compositores (UNAC-SA).
A liga, de acordo com Manuel de Oliveira “Dudu”, porta-voz do encontro, é uma instituição regida por estatutos próprios, com um presidente e vice-presidentes, a funcionar para a defesa da criação de políticas de protecção dos membros das três instituições artísticas.
A ideia é criar uma missão nacional, com uma linguagem única e comum, em representação de toda a classe, por forma a evitar acções isoladas da UNAP, UEA e da UNAC-SA sobre os mesmos assuntos que assolam toda a classe artística, junto do Ministério da Cultura, disse o presidente da Mesa da Assembleia Geral da UNAP.
O artista plástico Dudu afirmou que, desde ontem, todos os documentos enviados ao ministério, que reclamam os direitos dos artistas, passam a ser ratificados por representantes das três entidades. “Acções diferentes para se ultrapassar os mesmos problemas não engrandecem a classe e ajuda a criar ilhas”, reforçou o artista plástico, depois de recordar que cada uma das instituições tenta resolver os problemas dos seus associados de forma isolada.
A criação da liga surge num momento em que as instituições precisam de ver o artista com mais respeito, apagando a ideia de pedinte, considerou o músico Santos Júnior, que participou no encontro em representação da UNAC-SA.
O referido passo vai fortalecer a imagem do artista junto da sociedade e este, por conseguinte, vê o seu compromisso com a nação mais forte, a partir do momento em que se perspectiva uma melhoria no funcionamento das associações e, consequentemente, dos membros, disse Pombal Maria, representante da UEA.
A organização da classe é o ponto defendido pelo secretário-geral da UNAP, Tomás Ana “Etona”, segundo o qual os artistas têm vantagens com a criação da liga nacional dos artistas. O secretário-geral da UNAP disse que “com a criação da liga, podemos exigir melhorias para o desenvolvimento da classe.”
Questões ligadas ao não pagamento de subsídios aos membros das referidas associações desde Março, sem qualquer justificação, apesar das dificuldades financeiras que o país atravessa, e a procura de respostas de aspectos que preocupam os artistas foram, dentre outros aspectos, abordadas na reunião.
António Feliciano dos Santos “Kidá”, que representou o Ministério da Cultura, defendeu a entrega de um documento à direcção do Ministério da Cultura, espelhando os problemas que preocupam a classe artística nacional, depois de um diagnóstico profundo.

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