Cultura

Cultura serve de elo para fortalecer a paz

Manuel Albano

O incentivo à união e ao respeito pela diversidade cultural estão entre os principais focos da I Bienal de Luanda - Fórum Pan-Africano para a Cultura da Paz, que tem na juventude uma das forças motoras, defendeu, em Luanda, a coordenadora nacional do projecto, Alexandra Aparício.

Historiadora Alexandra Aparício é a coordenadora nacional desta primeira edição
Fotografia: Agostinho Narciso | Edições Novembro

Para a historiadora, a Bienal de Luanda, que acontece de 18 a 22, na capital, representa uma rara oportunidade de promover a harmonia e a fraternidade entre os países, em especial os africanos, por meio de manifestações artísticas.

Os preparativos, disse, decorrem a bom ritmo e todos os participantes estão prontos para tornar Luanda num espaço de reflexão e partilha de conhecimentos artísticos e científicos, relacionados com a Cultura da Paz e Não Violência.
A actividade, resultante da cooperação tripartida entre Angola, a União Africana e a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), vai permitir uma maior integração das elites africanas e representantes da sociedade civil, com as autoridades tradicionais, artistas, desportistas e intelectuais.
Para esta primeira edição, explicou, foi criado um vasto programa de actividades, cuja abertura oficial está marcada para o dia 18, às 10h00, no Centro de Convenções de Talatona, em Luanda, num acto a ser presidido pelo Presidente da República, João Lourenço, e testemunhado por alguns Chefes de Estados africanos, assim como a directora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, o Prémio Nobel da Paz de 2018, o médico Denis Mukwege, e o futebolista Didier Drogba.
Desta forma, adiantou, a bienal reúne representantes de governos, da sociedade civil, sectores públicos e privados, comunidade artística e científica, assim como várias instituições académicas e organizações internacionais, para mostrar que é possível preservar a identidade, dentro da cultura de paz.
A agenda cultural da bienal inclui um programa diversificado, que começa no dia 18, com uma visita aos pavilhões onde os países convidados mostram parte da cultura e da riqueza artística. Outra actividade de realce para o dia de abertura, informou, é a abertura do Festival de Culturas. “Todos os dias vai haver performances de teatro, espectáculos de música e dança, sessões de cinema e de gastronomia, de forma a que os visitantes conheçam mais da cultura dos países convidados”, disse.

Força motriz
Para congregar o maior número de participantes, a organização da bienal mobilizou diversas instituições e associações estudantis, públicas e privadas, para participaram nas actividades, em especial as oficinas sobre literatura, pintura, dança e teatro.
De acordo com Alexandra Aparício é uma forma de incentivar a partilhar de experiências entre os jovens, em especial os estudantes, com os artistas, nacionais e estrangeiros. “Temos de mostrar à juventude o quão importante é a cultura no desenvolvimento de um país, na preservação da identidade e na defesa da paz.”
Uma equipa técnica, disse, está a trabalhar na produção das actividades artísticas. O Ministério da Cultura pretende que os parceiros aproveitem a oportunidade para divulgar o máximo possível os potenciais artísticos e culturais do país. “Estamos a preparar um pavilhão que vai ser dos maiores da bienal, com propostas inovadoras capazes de atrair os visitantes”, prometeu, além de destacar que, até o dia da abertura, a intenção é divulgar mais a cultura nacional.

Carnaval
Embora não seja época de Entrudo, o espírito carnavalesco vai marcar presença na Bienal de Luanda com a participação de alguns grupos da capital, cujas exibições vão mostrar aos visitantes a “grandeza” da maior manifestação cultural angolana.
A ser realizada sobre o lema “A Cultura da Paz e a Resiliência aos Conflitos”, a bienal, aclarou Alexandra Aparício, é um dos compromissos que o país assumiu com a Unesco, para promover, através das artes, uma ideologia de valorização e preservação da paz. “Tentar fazer do projecto, cuja próxima edição está marcada para 2021, uma marca reconhecida internacionalmente e um produto a ser consumido além-fronteiras, é um dos grandes desafios do país.”
A aliança de parceiros para uma cultura de paz em África, explicou, faz parte da implementação da Agenda 2030, através da realização dos 17 Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Nesta primeira edição da Bienal de Luanda participam vários países, com destaque para o Egipto, Marrocos, Etiópia, Quénia, Rwanda, Mali, Nigéria, Cabo Verde, República do Congo, República Democrática do Congo, Namíbia, África do Sul, Cuba, Brasil, Portugal e Itália.

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