Cultura aposta na formação de técnicos


13 de Novembro, 2015

Fotografia: Kindala Manuel |

O secretário de Estado da Cultura, Cornélio Caley, reiterou que o Ministério da Cultura tem como uma das apostas a formação contínua dos técnicos como instrumento imprescindível no processo de inscrição dos bens na lista indicativa da UNESCO como património cultural imaterial no país.

Cornélio Caley fez esta declaração na abertura do seminário sobre a Salvaguarda do Património Imaterial que decorre até hoje, nas instalações do Instituto Nacional do Património Cultural, em Luanda, sob o lema “O reforço das capacidades nacionais para salvaguarda do património cultural imaterial na África lusófona”.
O secretário de Estado da Cultura disse que a nível nacional esta acção de formação deve ser encarada como um programa de planificação dos bens a classificar, e deve ser encarada também sob o signo de uma rede de instituições, entidades e outros parceiros que devem garantir um desenvolvimento desejável ao projecto e ao inventário piloto.
A área que tem a ver com o estudo do património imaterial é complexa, por ainda ser pouco conhecida, razão pela qual é urgente capacitar os técnicos nacionais para um enquadramento do património imaterial, que se estende por várias áreas do país.
“Nesta fase, temos 25 técnicos de algumas províncias do país que vão participar na formação, cujas aulas vão ser ministradas em debates e plenárias para auxiliar os participantes a uma melhor compreensão das actividades relacionadas com a aplicação da Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da Unesco”, disse. Cornélio Caley adiantou que o encontro tem como objectivo incentivar a implementação da convenção a nível nacional, incentivar a criação de um Comité Nacional para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial.

Acção das comunidades


O especialista da UNESCO, Júlio Rego, afirmou em Luanda que a participação das comunidades é muito importante para se inventariar todo o património imaterial nacional. Júlio Rego adiantou que a Convenção da UNESCO de 2003 põe a questão da comunidade no centro das atenções para a preservação e a salvaguarda do património, pelo facto de o património pertencer às comunidades, aos seus actores. “O processo de consciencialização e compreensão de como salvaguardar o seu património imaterial vai passar pelas comunidades, já que é ela que tem interesse em salvaguardar a sua riqueza, a cultura e os costumes”, adiantou.
Para o especialista da UNESCO, o trabalho que vai ser realizado para a salvaguarda do património imaterial é complexo, devido ao facto de cada povo ter as suas práticas culturais próprias e muitas vezes não terem noção de que algo que pratica todos os dias faz parte do seu património imaterial. 
A directora do Instituto Nacional do Património Cultural, Maria da Piedade de Jesus, reforçou que a instituição vai continuar a apostar na formação dos técnicos para poder fazer um trabalho de recolha e registo do património imaterial do país.
O objectivo da formação é munir os técnicos com as ferramentas necessárias para servirem de formadores nas províncias onde vão trabalhar com as comunidades. “É importante que, primeiro, o usuário desse património reconheça o valor do seu património, para que possa proteger e dar o devido valor ao mesmo tempo. O país é rico em termos de património imaterial, mas é pouco conhecido. Com esse trabalho vai dar o devido valor e divulgação do património de todas as regiões do país”, finalizou.
Um total de 25 técnicos angolanos participa na acção de formação, com a duração de quatro dias, sobre património cultural imaterial, numa promoção do Instituto Nacional do Património Cultural (INPC).
O Ministério da Cultura pretende com o encontro dotar os técnicos angolanos de conhecimentos adequados para a recolha, preservação e catalogação do património imaterial angolano, no âmbito do projecto Mbanza Congo e Corredor do Cuanza.

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