Cultura

Cultura cokwe atrai turistas

Armando Sapalo | Dundo

O Museu Regional do Dundo recebeu, de Janeiro a Novembro deste ano, cerca de mil visitantes, entre personalidades nacionais e estrangeiras atraídos pela riqueza cultural da região lunda cokwe, revelou na segunda-feira, ao Jornal de Angola, o chefe de departamento de Educação e Animação Cultural da instituição.

João Diei Muanangue falou da importância do acervo do Museu Regional do Dundo
Fotografia: Benjamin Cândido | Dundo | Edições Novembro


De acordo com João Diei Muanangue, o Museu Regional do Dundo, que abre as portas ao público quatro vezes por semana, de terça a sexta-feira, das 9h00 às 14h00, regista uma média mensal de 90 visitantes, um número que satisfaz os propósitos das autoridades museológicas locais.
A reabertura ao público do museu em 2012, depois de um longo período encerrado, devido a obras de reabilitação e modernização, criou excelentes perspectivas de projecção das actividades da instituição, viradas à valorização, desenvolvimento, preservação e estudo contínuo do vasto mosaico cultural e artístico dos povos da região nordeste de Angola, salientou João Diei Muanangue. A conclusão da primeira fase do projecto, encabeçado pelo Ministério da Cultura, permitiu a inventariação de mais de seiscentas peças museológicas, que constituem actualmente a exposição permanente, que tem proporcionado ao Museu do Dundo um cenário mais atraente para os visitantes e investigadores.

A nova exposição permanente retrata aspectos da vida dos habitantes locais, desde a pré-história, organização política, caça e actividades económicas, respondendo desta forma aos objectivos das três principais áreas de estudo do Museu do Dundo, nomeadamente a Arqueologia, a Etnografia e a Biologia, esta última com incidência na investigação das espécies animais. O museu dispõe ainda de uma sala específica para exposição de diamantes e jóias, uma biblioteca, actualmente com um acervo de mais de 35 mil livros diversos, e uma sala de iniciação masculina, designada em língua nacional cokwe por “Mukanda”.
O chefe de departamento de Educação e Animação Cultural do Museu do Dundo garantiu existir um grande engajamento da direcção da instituição, em coordenação com o Ministério da Cultura, com vista a atrair mais visitantes, sobretudo, jovens estudantes e investigadores nacionais e estrangeiros.
Para tal, disse ser necessário formar mais quadros nas áreas de História, Música, Arqueologia, Antropologia e Etnografia, tendo em conta a responsabilidade que o Museu do Dundo desempenha ao longo dos anos, com vista à dinamização da investigação científica e cultural dos povos da região nordeste de Angola.

Segunda fase do projecto
A segunda fase das obras do Museu do Dundo está nesse momento paralisada, devido às dificuldades financei­ras que o país enfrenta. A se­gunda fase do projecto prevê a construção de um edifício moderno de um piso, anexo ao museu, que deve albergar salas para depósito do acervo, gabinetes da direcção, departamentos de museografia e de animação cultural.
A conclusão das obras da segunda fase, segundo João Diei Muanangue, vai proporcionar melhores condições de trabalho, reforçar os níveis de organização e de estruturação, visando garantir mais eficiência às actividades de investigação científica.
O responsável recordou ser importante a rápida recuperação do prestígio que a instituição museológica vem granjeando a nível do continente africano e do mundo, principalmente em matéria de investigação científica nas áreas de Etnografia, História Natural e Arqueologia.
“O número de pessoas que visitam diariamente o museu é um claro sinal da sua aceitação”, garantiu João Diei Muanangue, salientando que, apesar das obras em curso, um dos grandes objectivos é continuar a preservar as características inicias da instituição, por forma a assegurar a conservação do acervo baseado nas tradições da região.

 

  Investigação científica deve retomar trabalhos

João Diei Muanangue defendeu a retomada dos trabalhos de investigação científica, que devem passar pela recuperação no mais curto espaço de tempo, do laboratório de investiga-ção biológica, da Estação Arqueológica de Bala-Bala e da Aldeia Museu.
O responsável ressaltou a importância do laboratório de biologia, enquanto dependência específica do Museu do Dundo, vocacionada ao estudo das diferentes espécies animais da região leste do país e a revitalização da Aldeia Museu, que no passado serviu de instrumento de mobilização e aglutinador não só dos artesões como da preservação da tradição oral dos mais diferenciados usos e costumes da região. Uma outra dimensão do museu que deve ser recuperada, lembrou, é o estabelecimento de ligações com instituições museológicas de outros países. A intenção, segundo o responsável, é atrair o interesse de pesquisadores internacionais.
Em Agosto último, o Museu Regional do Dundo recebeu a visita de sete investigadores norte-americanos, que durante três dias trabalharam na identificação de espécies de animais répteis.
João Diei Muanangue ressaltou que, dadas as excelentes condições de trabalho proporcionados aos investigadores norte-americanos, os mesmos prometeram regressar em breve para outras investigações mais exaustivas.
Em relação ao reforço do acervo da instituição museológica, com destaque para a descoberta de novas peças que retratam o quotidiano dos povos da região lunda cokwe, João Diei Muanangue disse estar a ser desenvolvido, numa primeira, um trabalho de sensibilização no município do Lôvua, para a recolha nos novos artefactos de valor histórico-cultural.
O responsável apontou que as dificuldades financeiras estão a inviabilizar o projecto, que a princípio deve ser alargado a todos os municípios da província.

Tempo

Multimédia