Cultura

Cultura garante apoio aos artistas

Mário Cohen |

O Governo vai trabalhar para que as actividades artísticas dos criadores nacionais se tornem numa fonte de sustento. Este é um dos grandes desafios do Ministério da Cultura para os próximos cincos anos, defendeu ontem Carolina Cerqueira.

Artista plástico Horácio Dá Mesquita recebeu ontem das mãos da ministra o troféu do Prémio Nacional de Cultura
Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro

Em declarações feitas no Museu Nacional de História Natural, durante os cumprimentos de ano novo dos funcionais do Ministério da Cultura, Carolina Cerqueira reconheceu que nos últimos anos os artistas têm vivido fases difíceis, em especial os familiares dos músicos já falecidos, “a maioria sem condições para realizar um funeral condigno” dos que partem.
A titular da pasta da Cultura disse que não é o seu pelouro que tem que fazer tudo para melhorar a vida dos artistas, pois como recordou o departamento ministerial que dirige tem a tarefa de criar condições de trabalho para que os criadores encontrem mecanismos de sustentabilidade, assim como a realização de acções e actividades artísticas que visam suprir as necessidades actuais dos artistas, sem comprometer o futuro.
Carolina Cerqueira disse que os artistas devem tirar partido do talento que têm quando estão no activo ou no auge das suas carreiras, sabendo gerir o pouco dinheiro que vão  ganhando de maneira a garantir o futuro.
Hoje, afirmou a ministra Carolina Cerqueira, tudo que acontece na vida do artista, principalmente quando padece de uma enfermidade e não registe, a culpa recai para o Ministério da Cultura por não prestar apoio há tempo.
Enquanto titular da pasta da Cultura, a ministra garantiu aos criadores que podem contar com o seu apoio pessoal e institucional para que situações do género não voltem a acontecer, tendo acrescentado que o pelouro que dirige vai servir de ponte para que os artistas desenvolvem os seus trabalhos artísticos em todo domínio das artes no país.
A realização do FestCongo, uma iniciativa que visa divulgar mais a imagem do centro histórico da cidade de Mbanza Congo, que desde Julho do ano passado integra a lista de Património da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação  Ciência e a Cultura (UNESCO), consta dos desafios do sector para este ano.
Carolina Cerqueira adiantou que os ministérios da Cultura e da Educação vão trabalhar em parceria no sentido da história da cidade de Mbanza Congo ser inserido no curriculum escolar.
A ministra anunciou a realização de um concurso de línguas nacionais com objectivo de divulgar mais as línguas maternas, assim como “possibilitar que os jovens se interessem mais nos nossos idiomas de maneira a dar o devido valor que eles merecem por serem manifestações culturais do povo angolano”.
A construção de casas de cultura nos municípios da capital, numa primeira fase, consta das prioridades do Ministério da Cultura, visando a municipalização da cultura nacional e proporcionar que os munícipes conheçam a história do país.
“A cultura é um sector que tem meios para ajudar no desenvolvimento económico do país, mas para isso os fazedores de cultura devem desenvolver trabalhos em conjunto para o bem do sector” disse Carolina Cerqueira, que acrescentou que para  que os objectivos sejam concretizados devem contar com a colaboração de todas as instituições culturais, como a União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP), União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC) e União dos Escritores Angolanos (UEA).

Dá Mesquita recebe prémio

O artista plástico Horácio Dá Mesquita vencedor do Prémio Nacional de Cultura e Artes 2017, na disciplina de artes visuais e plásticas, ausente da cerimónia de entrega do galardão, recebeu ontem o troféu das mãos da ministra Carolina Cerqueira. Ao artista plástico Horácio da Mesquita, o júri refere que o prémio de artes visuais e plásticas foi atribuído “pelo mérito da sua mais recente exposição individual sobre cerâmica artística”, realizada no Museu da Moeda, “que ressalta um forte pendor investigativo e criativo”.
Foram distinguidos, com galardões e diplomas do Prémio Nacional de Cultura e Arte 2017, o músico Carlos Lamartine, a jornalista Maria Luísa Fançony, o escritor António Fonseca, o realizador Abel Couto, o grupo de teatro Protevida, a equipa de realização das festividades da Nossa Senhora do Monte, a Companhia de dança Contemporânea de Angola e o historiador Emmanuel Esteves (a título póstumo). 
O Prémio Nacional de Cultura e Artes visa incentivar a criatividade nos domínios literários, artístico e da investigação científica, no âmbito das ciências humanas e sociais, promover a qualidade da produção do cinema e áudio - visuais das artes de espectáculos, nomeadamente a encenação de obras teatrais, dança, música, bem como a promoção dos bens culturais e de conhecimento através da publicação, divulgação e valorização.

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