Cultura pode contribuir para a economia

Roque Silva |
12 de Setembro, 2014

O empreendedorismo é o principal factor de crescimento económico e social de um país, por isso a cultura deve ser usada para incentivar o desenvolvimento sustentável  de Angola, disse a agente cultural brasileira Edileuza Silva, em Luanda.

A responsável, que foi convidada a participar na Feira Nacional das Indústrias Culturais e a falar sobre “O empreendedorismo cultural - Economia criativa”, vê esta prática como um dos negócios mais rentáveis que ajudam a desenvolver um país.
A cultura, disse, necessita de uma atenção especial, pois, além do aspecto identitário, é um factor de renda para a população, uma vez que as iniciativas elaboradas e executadas no domínio das artes conseguem gerar empregos.
Para a agente cultural, algumas pesquisas baseadas em dados da Organização Internacional do Trabalho indicam uma participação de 7 por cento dos bens e serviços culturais no Produto Interno Bruto (PIB) mundial, com um crescimento anual, em média, de 10 a 20 por cento. Em Angola, segundo alguns dados estatísticos citados pela oradora, a cultura angolana não contribui na economia do país. “É uma barreira que só pode ser ultrapassada quando forem identificados os sectores da economia criativa em todo o país, a partir das comunidades”, defendeu.
“A maioria destes sectores da economia criativa, referiu, devem estar relacionados sobretudo com as artes plásticas, dança, teatro, moda, cinema, literatura, gastronomia, publicidade e aos videojogos”, destacou.
A diversidade cultural de Angola, informou, deve garantir também a sustentabilidade e inclusão social dos criadores e de todas as pessoas envolvidas em projectos e iniciativas de promoção da arte.
Os programas do Ministério que visam o apoio à cultura, entre os quais a Lei do Mecenato, carecem, disse, de suportes exequíveis para alavancar o desenvolvimento do sector e ajudar a intensificar a produção artística.
Edileuza Silva adiantou que é fundamental começar a criar mais medidas para estimular o fomento de empreendimentos culturais, promover a educação das competências criativas, criação de infra-estruturas, assim como de formas de incentivo à produção, distribuição, circulação e consumo de bens e serviços criativos.
As empresas, destacou a oradora, também devem ter responsabilidades de investir nos projectos dos agentes culturais e proporcionar a sua capacitação através de oficinas.

Dramaturgia

A ausência de livros sobre a dramaturgia e os espectáculos de teatro realizados no país é um assunto que preocupa a classe, informou o vice presidente da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC) para o Teatro, Africano Kangombe.
O encenador, que dissertou sobre “O percurso e desafios da dramaturgia angolana”, lamentou o facto de a literatura dramática ter sido menos cultivada no país, por ser um índice para medir a quantidade e qualidade das obras produzidas e publicadas num catálogo.
Africano Kangombe disse que o teatro em Angola é anterior a independência e tem as suas raízes assentes, até hoje, nos rituais tradicionais e no quotidiano.
“Os grupos têm procurado mostrar nos seus espectáculos que estão preocupados com a sociedade moderna angolana, mas não descuram a sua tradição”, destacou o responsável.

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