Cultura

Da Lomba diz ter noção das responsabilidades

Amilda Tibéria

A ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, considerou ontem, em Luanda, a nomeação de Euclides da Lomba, para o cargo de Director Nacional da Cultura, uma grande escolha, por que o cantor tem bastante experiência que facilita a interacção entre o Ministério e a classe artística.

Cantor afirmou que o espírito de missão e dedicação permite ultrapassar os obstáculos
Fotografia: Mota Ambrósio | Edições Novembro

Carolina Cerqueira fez esta afirmação ao proceder o empossamento dos directores nacionais nomeados recentemente, nomeadamente Francisco de Castro Maria,  director geral do Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos (INAR), Rosa Maria Amélia João de Melo, directora Nacional das Comunidades e Instituições do Poder Tradicional, Carlos de Jesus Vieira Lopes, secretário do Festival Nacional de Cultura (FENACULT) e Josina de Carvalho, como consultora da ministra.
A valorização, preservação e divulgação da cultura nacional e dos seus agentes exige dos quadros do sector maior dedicação, saber e espírito de missão e patriótico, afirmou a ministra.
Carolina Cerqueira destacou a necessidade de os técnicos do Ministério da Cultura saberem ouvir e serem criativos para que dentro da actual conjuntura possam encontrar e apresentar alternativas capazes de alavancar a cultura e os seus criadores.Afirmou que os novos responsáveis têm enormes desafios, mas que, com a ajuda e contribuição de todos, poderão ser alcançados, mesmo apesar das actuais dificuldades.
Euclides da Lomba disse ter noção das responsabilidades que se aproximam na perspectiva nacional. O cantor começa por analisar os arquivos e tudo que estiver ao alcance da Direcção Nacional de Acção Cultural. Adiantou que, com o espírito de missão e dedicação se poderá ultrapassar os obstáculos e dar-se a dignidade necessária aos fazedores das artes no país.
Conhecedor dos problemas que enfrentam os artistas angolanos, por se tratar de um cantor com experiência tendo em conta que exerceu, até a sua nomeação, o cargo de secretário provincial da Cultura de Cabinda.
Rosa Melo, que assume a pasta de directora Nacional das Comunidades e Instituições do Poder Tradicional, no âmbito do novo organigrama do Ministério da Cultura, adiantou que a sua acção vai cingir-se em prol da valorização das autoridades tradicionais.
“Trata-se de personalidades que muito têm para dar em prol da afirmação do país, com uma vasta experiência e sabedoria sobre os poderes tradicionais, sobre a vida diária das comunidades, razão pela qual merecem uma atenção especial do Executivo”, disse.

Euclides da Lomba
A nomeação do cantor e compositor Euclides da Lomba surge como sinais de “nova dinâmica” no Ministério da Cultura, tendo em conta o tempo em que Carlos de Jesus Viera Lopes esteve a frente da Direcção Nacional de Acção Cultural há mais de quinze anos.
Euclides da Lomba salientou que este cargo o obrigará a trabalhar com pessoas de classes bastante diversificadas, de diferentes níveis sociais e académicos, sendo assim necessário aplicar as recomendações da titular da pasta e ouvir as mensagens que os artistas pretendem transmitir. “É mais uma promoção de serviço e tudo faremos para não decepcionar as pessoas que apostaram em mim, para fazer parte desta grande equipa da cultura”, realçou.

Gestor crítico
Crítico, Euclides da Lomba considerou, recentemente, enquanto secretário provincial da Cultura, em Cabinda, que a política das promotoras de realizarem espectáculos apenas com cantores de sucesso na actualidade e seus agenciados desmotiva os restantes artistas, principalmente os artistas mais antigos.
“Isso não é fazer cultura. É um incoerente atropelo aos artistas da vanguarda. Esse tipo de atitude pode desfigurar a potencialidade cultural angolana, ainda pouco explorada”, argumentou. Afirmou ser importante promover-se um encontro para se discutir a questão da profissionalização musical no país.
Euclides Barros da Lomba é natural de Cabinda. Nasceu a 18 de Fevereiro de 1966, e cresceu num ambiente artístico e cultural onde co-existiam os hábitos angolanos, congoleses e cabo-verdianos.

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