"Dabanda" aposta seriamente no "I Love Kuduro"

Jomo Fortunato |
8 de Setembro, 2014

Fotografia: Paulo Mulaza

A terceira edição do Festival “I love Kuduro”, que decorreu, sábado, no Parque da Independência,  surge numa perspectiva de persistência na promoção e valorização de um segmento importante da cultura popular, de inquestionável sucesso, expressão nacional e referência internacional.

Enquanto certame passível de constar numa agenda anual, o festival criou marca e referência simbólica junto do público jovem, e, sobretudo, da crescente classe “kudurista” angolana. Durante doze horas consecutivas de música ritmada,  desfilaram na Praça da Família, junto ao Parque da Independência, os artistas: Cabo Snoop, Noite e Dia, The Groove, Própria Lixa, Tchobari, Dj Ketchup, Manda Chuva, Bebo Clone, Fogo de Deus, Zoca Zoca, Pai Banana, os Lambas, W King, Bruno M, Puto Lilas, os Detroia, Tuga Agressiva, Fofandó, Francis Boy, Tribais do Pânico, Turma Mix, Black Máfia, Puto Prata, Titica, Beboclone, MPK, Nacobeta, Virgílio Fire, Fogo de Deus e Pai Profeta.
Produto da evolução das novas tecnologias, os géneros musicais nascidos nas periferias, começaram a ser reconhecidos como partes integrantes de uma mesma “aldeia global”. O “Funk carioca”, do Brasil, o “moombahton”, do DJ e produtor americaco Dave Nada,  o “ghettotech”, do músico e produtor americano,  DJ Godfather , e o “raggamuffin”, representado pela cantora belga, Selah Sue,  são ritmos divulgados e conhecidos no mundo, aos quais podemos comparar o impacto da estrondosa planetarização do kuduro angolano, que tem tido a promoção da “Dabanda Entertainment”, sob a batuta visionária e inteligente do cantor, compositor e produtor Córeon Dú.

Produção

Com produção e realização da     “Dabanda Entertainment”, o Festival “I Love Kuduro” tem primado pela qualidade na produção e realização, criando mecanismos de assinalável  funcionalidade publicitária. A “Dabanda Entertainment” é “uma empresa de entretenimento focada no desenvolvimento, promoção, gestão e marketing de artistas, músicos e projectos de “live entertainment”, que disponibiliza ainda serviços nas áreas de produção de eventos, produção e gestão musical, agenciamento de modelos, concertos e gestão de talentos. Os seus recursos profissionais incluem escritores de canções, músicos, produtores, engenheiros de som, realizadores, equipas de produção de eventos, relações públicas e “label managers”.
O principal objectivo da empresa é acolher, desenvolver e promover o talento e a criatividade angolana e africana. A secção de música orgulha-se de ter lançado alguns dos mais bem-sucedidos projectos musicais, tendo apostado em novos artistas como Celma Ribas, novos talentos como Sandra Cordeiro e Black Fofas, mas também em artistas angolanos consagrados, como o incomparável DJ Silyvi.

Artistas

Aos artistas nacionais, Bruno M,  Própria Lixa, Titica,  Big Nelo, Nacobeta Agre-G, Noite e Dia,  DJ Znobia, Djeff & Silyvi, Nicol Ananaz, Game Walla, Os Minanga, Os Namayer ( Prince Ouro Negro e Presidente Gasolina), Francis Boy, Maskarado  e artistas da diáspora angolana como DJ Tecas,  MK- Mwangolês do Kuduro, já foram convidados ao Festival Internacional, “I Love Kuduro”, nomes da música internacional, tais  como: o lendário DJ Louie Vega, Anané Vega,  o rapper britânico  Wretch 32 ,  e o rapper alemão Marteria ,  Ousunlade e outros nomes incontornáveis da música electrónica como John Digweed, Hernán Cattáneo, Trentemøller, Michael Mayer, Tiefschwarz, Daniel Haaskman, Diego Miranda, Petre Inspirescu, Zakraw, Simon Muller and Mietzekatze Man,Olli Kruguer, Daniel Wilde, Francesco Zappala e Wla Garcia.

História

Depois do sucesso da primeira edição do Festival “I Love Kuduro”, em 2012, e da segunda realizada nos Pavilhões da Feira Internacional de Luanda, nos dias 28 e 29 de Janeiro de 2013, a “Da Banda” apostou agora na terceira edição, com cerca de quarenta artistas e DJ’s nacionais,  tendo como convidada internacional a cantora, Lizha James.
O Festival “I Love Kuduro” já passou por Paris e Berlim, e desde Outubro de 2011, tem juntado e criado intercâmbio entre vários nomes do Kuduro, música electrónica e da “Urban Music” angolana e internacional.   O certame,  segundo podemos ler no seu site,  “começou a fazer furor com  dois eventos que tiveram lotação esgotada, em Paris:  “Kuduro sessions”, com mil e quinhentas pessoas, e o  “Showcase Club”,  no dia 6 de Outubro de 2011, com mais de duas mil e quinhentas pessoas. Depois foi a vez da  Alemanha, com o  “Kuduro Sessions Berlin”, realizado  no Arena Club, no dia 3 de Dezembro de 2011.

Objectivos

O Festival “I Love Kuduro” tem como objectivos, promover e dar novas oportunidades de trabalho aos “kuduristas”, tornar acessíveis os conteúdos do festival, colocar à disposição do público os produtos artísticos do kuduro, e realizar actividades paralelas ao  Festival.
O certame visa ainda  propiciar  o reencontro entre artistas angolanos  e cultores da música internacional, bem como a valorização da música electrónica angolana, e do Kuduro, enquanto género musical, uma das vertentes artísticas que mais cresce tanto em Angola, como fora das suas fronteiras.

Lançamento

Ausente na terceira edição do Festival “I Love Kuduro”, Córeon Dú está em Nova Iorque, para o lançamento digital do seu novo álbum, “Binário”, amanhã, 9 de Setembro. Segundo o relato do autor, publicada na sua página do “Facebook”: “Binário foi um processo de gravação maravilhoso, cheio de óptimas experiências, que passou por Miami, Nova Iorque, Austin, Havana, e Rio de Janeiro, com grandes colaborações como Carlinhos Brown  e muitos outros. Terei o prazer de partilhar convosco o resultado deste processo”. No entanto, importa recordar que o cantor e compositor, escolheu a escolheu a cidade de Miami, como cenário para o vídeo da sua canção “Bailando kizomba” incluída no CD, “Binário”.
Numa clara estratégia de internacionalização da música angolana, Córeon Dú quer mostrar a sensualidade da kizomba,  misturando-a com ritmos latino-americanos. Sobre o facto disse: “Sei que a kizomba tornou-se um fenómeno mundial, mas foi realmente agradável e uma surpresa descobrir que os bailarinos que estão a dançar no meu vídeo têm nacionalidades tão diversas como a americana, espanhola, angolana, israelita e portuguesa”. O também produtor e promotor musical, acrescentou  que “quis que o conceito fosse uma espécie de ‘rave tropical’, num local meio secreto e exclusivo, onde a energia das pessoas viesse da sensualidade da kizomba”.

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