Abre na Camama complexo cultural

Jomo Fortunato|
5 de Janeiro, 2015

Fotografia: Paulino Damião

Para além de uma inequívoca preocupação pelo bem estar dos angolanos, a educação e a cultura, enquanto domínios de suma importância na construção da Nova Angola, constituíram dois eixos pelos quais esteve assente, parte do discurso do  Presidente da República, numa linha de continuidade com outros momentos discursivos, em que a atenção à formação da personalidade, vem dialogando com a construção de um  futuro de paz e progresso. 

De facto, o ano que terminou constituiu o fim de um ciclo de aspirações e esperanças na concretização dos grandes projectos que têm dominado o processo de reconstrução do país, visando o progresso e o desenvolvimento, à larga escala , depois da celebração dos acordos de paz.  Quando falávamos de outros momentos discursivos do Presidente, referíamo-nos ao discurso de abertura do III Simpósio sobre Cultura Nacional, em Setembro de 2006, em que o Chefe do Executivo defendia o pressuposto que o fim da guerra, marcou o início de uma nova vida de esperança, e que a defesa da “matriz material”, no período do conflito bélico, determinou, acto contínuo, o consequente resguardo dos sistemas culturais, na sua dimensão material e imaterial.
Neste sentido, vejamos o que disse o Chefe do Executivo, quando, no discurso em análise, relacionou a paz ao desenvolvimento dos aspectos cultural, científico e técnico dos angolanos : “Quando terminou a guerra em Abril de 2002, todos nos lançámos ao trabalho para melhorar as nossas condições de vida. O país estava muito pobre e exangue. Reconstruímos e modernizámos o que estava destruído e construímos muitas coisas novas. O nosso país começou a mudar para melhor, as famílias recomeçaram progressivamente a exercer o seu papel na sociedade e aumentou o nível cultural, científico e técnico dos angolanos”.
Na realidade, os números têm demonstrado  um aumento do espectro das possibilidades de emprego, da habitação, e multiplicam-se cada vez mais os centros de formação técnico-profissional, numa perspectiva concreta e visível de combate à pobreza, e da diminuição paulatina das assimetrias sociais:
“Hoje há mais crianças nas nossas escolas, há mais técnicos e especialistas angolanos nas nossas empresas e instituições administrativas, há mais médicos e professores, a economia cresceu e o prestígio do país no mundo aumentou”, asseverou o Presidente da República.

Confiança

Contrariamente o que advogam os arautos da dita “revolução”, o Chefe de Estado a confia na sabedoria de todos os angolanos, e disse-o nos seguintes termos: “Eu confio na sabedoria e no talento dos angolanos. Não tenho dúvidas que, graças ao seu trabalho, à sua criatividade e ao seu empenho e patriotismo, eles vão cumprir as suas obrigações, dando assim, cada um ao seu nível, um contributo inestimável para a consolidação e desenvolvimento da Nação angolana”. Neste sentido, julgamos que precisamos, isto sim, de várias revoluções: na disciplina, consubstanciada no respeito pelos bens comuns construídos pelo Estado, no estudo consciente e activo, na produção, e na educação cívica da juventude. Aí sim, precisamos de várias revoluções, e de um amplo “movimento revolucionário”.

 Diálogo

Respeitando a opinião alheia, numa perspectiva de auscultação de todos sectores da sociedade, o mais alto dignatário da Nação pretende instaurar o debate, deste modo: “ Outro elemento também essencial é a promoção pelo Estado do diálogo aberto e construtivo entre todos os cidadãos, com vista a aprofundar a reconciliação nacional e a ampliar os espaços de convívio e de debate útil de ideias e de projectos capazes de aumentar o seu bem-estar e confiança no futuro. (...) Os diferendos e contradições devem ser resolvidos por via do diálogo e da discussão, no respeito da Lei”, revelando, mais uma vez, a sua preocupação pelos  valores assentes na “educação moral, cívica e patriótica” dos angolanos, através de uma auto-interrogação que faz lembrar os clássicos gregos da arte  retórica, chamando a colaborar e responsabilizar, pelo estudo, os pelouros da educação e da cultura: “Como restabelecer a todos os níveis, e a partir da primeira infância, a educação moral, cívica e patriótica? Este é um assunto que os ministérios da educação e da cultura devem estudar”.

Literatura

José Eduardo dos Santos, num gesto simpático aos escritores e à literatura, falou da  desintegração das famílias e do sócio-sistema rural, da necessidade de preservação do patromónio comum, do sentimento telúrico, da sabedoria ancestral, e da solidariedade de uma forma visivelmente apaixonada:
“Os longos anos de conflito desestruturaram por completo a sociedade e levaram à desintegração e desajustamento familiar. É necessário, pois, um grande esforço para voltarmos ao respeito pelos valores e princípios que caracterizavam a sociedade angolana no passado. Valores e princípios como o tratamento honroso dos mais-velhos, a protecção natural da criança e dos portadores de deficiência, a assistência social, o espírito de solidariedade e entre-ajuda, a convivência harmoniosa entre vizinhos, o respeito e preservação dos bens comuns, o amor à terra e às suas gentes que tantos dos nossos poetas e escritores enalteceram”.

Inclusão


Finalmente, o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, no balanço do ano que ora finda, não deixou de se referir à inclusão social, que, depreendemos, é extensiva à  integração e respeito pelas culturas em presença, na tessitura social angolana:
“Neste processo, a integração e participação de todos no sistema económico e social é uma meta que devemos alcançar, pois a inclusão social é um factor essencial para o reforço da coesão nacional, para a consolidação da paz e para o crescimento harmonioso do país”.

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