Cultura

Actriz estreia peça em Luanda

ROQUE SILVA |

“Parto Rosa” é o título da peça de teatro que a actriz Renata Torres estreia hoje, às 18h30, no Centro Cultural Brasil Angola, em Luanda, sobre o papel da mulher na sociedade e os direitos de liberdade de escolha.

O drama levado à cena por Renata Torres reflecte uma análise crítica um desabafo e chama a atenção para a mudança de consciência da mulher
Fotografia: DR

A peça de teatro da também argumentista, produtora e realizadora, formada em Artes Visuais no Brasil, é apresenta em sessão única em Luanda, assim como nas outras 17 províncias do país, depois de ter sido representada no ano passado em Portugal pelo actor Matamba Joaquim.
“Parto Rosa” é um monólogo intimista para maiores de 12 anos que retrata aspectos ligados à forma como a sociedade estratifica os seres humanos do sexo feminino.
A personagem levanta várias questões sociais em 40 minutos de representação, desde a condição feminina num mundo machista, com imposições que repercutem na formação da personalidade, até à descoberta da felicidade, que resulta no final em negação dos padrões estabelecidos.
Renata Torres explora na narrativa aspectos ligados à relação entre uma mulher e um homem e coloca questões sociais, como a violência e a submissão, em que pretende desmitificar comportamentos impostos como deveres femininos.
O drama reflecte uma análise crítica, um desabafo, e chama a atenção para a mudança de consciência da mulher. A música “Não vou querer”, da cantora Girinha, é o tema de fundo da peça.
A peça começa com a personagem, uma feminista consequente, a narrar na primeira  pessoa a sua experiência de vida. À medida que ganha consciência da sua condição, percebe que não é obrigada a passar por abusos e maus tratos, pois tem escolhas e opções.
Renata Torres disse ao Jornal de Angola que a peça pode levar alguns espectadores a sentir desconforto, sobretudo nas cenas que retratam a subjugação da mulher pelo homem, havendo a possibilidade de ferir susceptibilidades por se reverem nessa situação. “O texto sofreu algumas transformações para não chocar os homens, pois ainda vão a tempo de melhorar. Não é um ataque directo aos homens. Na mesma peça faço o papel de esposa, mãe, sogra e amiga, mulheres com posicionamentos diferentes e que muitas vezes ajuda a dividir e estratificar as mulheres”, disse a actriz.
Chamar a atenção aos homens que prejudicam as mulheres e estas a libertarem a sua consciência, são os principais propósitos da produção teatral, disse a autora de “Parto Rosa”, segundo a qual a peça foi inspirada na realidade mundial.
“É a melhor fase para apresentar [a peça], pois é o mês da mulher, uma fase em que se desenrolam discussões em torno do movimento em prol da emancipação da mulher e do seu posicionamento na sociedade”, referiu a mactriz.
Renata Torres explicou que o título da peça foi inspirado em questões de género, sendo a expressão parto uma referência à maternidade, que é exclusiva das mulheres, e o rosa por ser a cor associada ao sexo feminino.

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