Chegou o grande Carnaval

Adriano de Melo |
6 de Fevereiro, 2016

Fotografia: Benjamim Cândido | Dundo

O futuro do Carnaval de Luanda começa a ser apreciado hoje, a partir das 16h00, quando os cassules mostrarem na Avenida  Marginal da Praia do Bispo o seu talento, em coreografias assentes nos ritmos tradicionais e letras que realçam a identidade nacional  e determinadas práticas sociais erradas.

O desfile, que marca a abertura oficial do Carnaval de Luanda, é aberto pelos Cassules do Kazukuta do Sambizanga e encerra com os Candengues de Cacuaco. O desfile da classe C, que apenas opõe os continuadores da “festa do povo” ajuda a medir o quanto o legado está a ser transmitido aos adolescentes.
Apesar de serem uma das classes mais complicadas, porque os seus ensaios requerem a autorização dos pais e encarregados de educação, os 14 grupos a disputarem a categoria ensaiaram com regularidade, durante os últimos dois meses.
Além dos Cassules do Kazukuta do Sambizanga e dos Candengues de Cacuaco, concorrem ao prémio de melhor grupo do Carnaval infantil os Cassules do 54, Sagrada Esperança, Admiradores do Hoje-Ya-Henda, Giza, Mundo da Ilha, Jovens da Cacimba, 10 de Dezembro, Nzinga Mbandi, Café de Angola, Twafundumuka, Geração Sagrada e Amazonas do Prenda. Os candidatos, que prepararam coreografias espectaculares, a serem exibidas pelos seus 150 dançarinos, prometem mostrar a diversidade cultural da cidade capital, através de compassos de cabecinha, kazukuta e semba, o estilo mais predominante.
Os  cassules  provenientes de vários distritos e municípios da província de Luanda são uma prova do interesse dos jovens em continuarem com o legado do Carnaval.

A subida

Os desfiles prosseguem amanhã com a “entrada em cena” dos grupos da classe B, que buscam por um “lugar ao sol” no acto central de 2017. Este ano a disputa está renhida devido a descida de grupos como o União Kabocomeu, ou o 54, que pretendem levar o seu melhor à Marginal para regressarem à classe A.
Entre os candidatos ao título de melhor da classe B do Carnaval deste ano constam ainda os grupos Etu Mudietu, Angola Independente, Jovens do Mukuaxi, Twafundumuka, Twabixila, Domant, Geração Sagrada, Kilamba Kiaxi, Recreativo do Kilamba, Juventude do Kapalanga, Kwanza e Juventude do Kilamba Kiaxi.
Alguns destes grupos fazem a sua estreia oficial na maior festa do povo, enquanto outros já trazem mais experiência na sua bagagem e pretendem utilizar os anos de desfile para dançarem, em 2017, no acto central.
Uma das ausências  desta edição, por motivos financeiros, é a dos grupos União Dimba dya Ngola, do Sambizanga, e  Tonesa, do Cazenga. Ambos são  ausências notáveis nesta edição, por já serem grupos de referência do Carnaval de Luanda.

As origens


A diversidade cultural e o regresso às origens é uma das bases desta edição do Carnaval que este ano reforça a sua aposta na interacção entre o público e os grupos participantes, dentro do propósito de promover a tradição, a alegria, a paz, a democracia e a unidade nacional, através desta manifestação cultural.
Nesta fase de crise financeira, a aposta na riqueza do folclore nacional, incluindo nas danças e músicas que tornaram o Carnaval na maior manifestação cultural do país, parece ser uma das apostas da Comissão Organizadora, que continua a chamar atenção dos grupos para o resgate e maior divulgação da cultura e da identidade.
A organização pede aos grupos para explorarem mais o Carnaval de forma a torná-lo na festa que através de danças como o cabecinha, kabetula, kazukuta, maringa, ou cidrália, se tornou uma referência do povo, e colocou músicas, como “Mariana”, “Kamakove”, ou “Mbiri Mbiri”, no cancioneiro popular. Para esta edição, a organização espera  que os grupos mostrem um pouco da sua criatividade nas letras das suas composições, já compiladas em disco, principalmente agora que vários músicos já têm trabalhado com as direcções dos grupos.

Os preparativos


A Comissão Preparatória do Carnaval de Luanda criou todas as condições para uma “festa” sem problemas. Durante as últimas semanas, a organização, acompanhada de uma equipa de técnicos do Governo Provincial de Luanda têm acompanhado os trabalhos para a montagem do cenário, na Avenida Marginal da Praia do Bispo, assim como o ensaio dos grupos.
Este ano, a organização pretende  apostar na estrutura do local, tendo em conta a ideia de aumentar a interacção e a proximidade entre os grupos e as pessoas.
A maioria dos parceiros da organização, na realização do Carnaval, também já começou a assinar os acordos para obter os seus espaços durante os desfiles.
A questão da segurança do público, um assunto preocupante devido ao horário da festa, que continua, muita das vezes, até às 23h00, está assegurada, com o apoio de efectivos da Polícia Nacional e do Corpo Nacional de Bombeiros.

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