Dança contemporânea angolana em debate

Roque Silva |
10 de Junho, 2016

Fotografia: Júnior Aragão

A criação de um projecto capaz de promover um maior intercâmbio entre os bailarinos e actores angolanos e moçambicanos é o principal enfoque da dissertação do coreógrafo e bailarino moçambicano Panaibra Gabriel, que é apresentada hoje, às 14h30, no Centro Cultural Brasil - Angola (CCBA), em Luanda.

O encontro, subordinado ao tema “A Dança Contemporânea e Coreografia”, é uma iniciativa da Alliance Française de Luanda, em parceria com o Centro Cultural Franco - Moçambicano, em Maputo.
Durante o encontro, o artista pretende criar uma maior aproximação entre os agentes do movimento cénico e de dança, sobretudo os da arte recreativas e de disciplinas conexas, assim como  os pesquisadores, promotores e produtores de espectáculos dos dois países.
A ideia, disse, é criar um maior dinamismo e interactividade da arte de representar, de maneira a desenvolver duas das sete disciplinas artísticas que menos apoio tem do empresariado em ambos os países.
Panaibra Gabriel disse, ontem, ao Jornal de Angola que  discute diferentes ideias com artistas e agentes culturais angolanos, pensando numa cooperação artística a longo prazo.
O coreógrafo e bailarino faz uma pequena demonstração do seu trabalho desenvolvido nos últimos 20 anos, com a exibição de pequenos números que reflectem a tradição moçambicana.
O artista informou que ao longo do debate pretende abordar temas relacionados com o panorama da dança contemporânea em Moçambique. Há seis dias em Luanda, Panaibra Gabriel disse que tem mantido encontros com coreógrafos, bailarinos e produtores de espectáculos angolanos. “Tenho visto geralmente os ensaios da Companhia de Dança Contemporânea de Angola e os projectos onde os artistas trabalham com crianças.”
O bailarino adiantou que pretende regressar, nos próximos meses, ao país e visitar outras províncias para criar maior aproximação com os grupos de outros géneros de dança e fazer uma radiografia da dança além da capital.

O orador


Panaibra Gabriel é um dos precursores da dança contemporânea de Moçambique. Bailarino e coreógrafo, nascido em Maputo, também se dedicou ao teatro, música e dança. Tem formação em Dança Contemporânea em Lisboa, num projecto que teve o apoio do festival Danças na Cidade, em que participaram igualmente os artistas Vera Mantero, de Portugal, Frans Poelstra (Países Baixos), Reggie Williams e Meg Stuart (Estados Unidos).
O coreógrafo tem apresentado trabalhos regulares nos cinco continentes, nos quais se destacam os espectáculos “Dentro de Mim Outra Ilha” (2º prémio nos Encontros Coreográficos de África e do Oceano Índico), “Mafalala 2” (venceu o Prémio Mecenato em Zurique), e “Tempo e Espaço: Os Solos da Marrabenta” (Melhor performance no MESS Festival).
Fundou e desenvolveu o CulturArte, em 1998, uma estrutura artística voltada ao sector da dança criativa profissional, através de espectáculos, projectos educativos, oficinas, residências e plataformas, e colaborações com artistas da África do Sul, Congo Democrático, Senegal, Madagáscar e continente Europeu.
A sua primeira criação “A Ópera do Tambor” foi apresentada em 2000 e três anos mais tarde organizou o seminário internacional “Como ensinar e estimular a dança contemporânea em um contexto africano?”, desenvolvido em parceria com o projecto português “Danças na Cidade” e a escola PARTS, em Bruxelas, com participação de artistas da Venezuela, Suíça, Países Baixos, Alemanha, Brasil, Portugal, RDC e África do Sul.

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