Dia Mundial da Dança em tempo de resgate

Roque Silva |
29 de Abril, 2016

Fotografia: Paulo Mulaza

O resgate da identidade nacional pela dança é das principais apostas dos promotores de espectáculos nacionais, nesta fase de reconstrução do país, onde a juventude é o foco principal.

A desvalorização da dança em Angola, lamenta o criador do Festival Nacional de Dança Kizomba e Semba, é o resultado do interesse que alguns promotores e instituições têm por outros géneros, como a música, em detrimento desta. 
Para Mukano Charles, a importância da dança na história, usos e costumes da cultura angolana tem um grande peso e um factor chave no ensino e na obtenção de apoios financeiros. A música, acrescenta, tem muita notoriedade actualmente no mercado angolano. A dança, contou, só esta a ganhar mais espaço agora. “Actualmente existe grande abertura para as danças no mercado nacional, apesar da falta de incentivos dos empresários e de salas convencionais”, explicou.
O promotor reconhece a existência de alguns grupos empresariais disponíveis a apoiar a dança, mas ainda de forma muito tímida, “pois as suas acções não permitem projectar a dança angolana além fronteiras”.
Os preços praticados pelas direcções das salas de espectáculos, disse, são um dos principais obstáculos para a actividade regular das companhias de dança. A gestão dos espaços, acrescenta, cobram pelo aluguer do local um preço ofensivo à realidade, quase sempre a rondarem os 500 mil e os três milhões de kwanzas. “Esse valor leva muitos a desistirem.”

Abandono

O director do Kussanguluka lamentou o abandono ao qual a maioria dos grupos de dança foram relegados, particularmente em termos de apoio financeiro. “Hoje o que a dança representa, mesmo na defesa e valorização, da cultura de determinadas regiões, está a ser esquecido pelas próximas gerações, mais atentas aos géneros populares.”
Augusto Van-Dúnem adiantou que o empresariado está desinteressado em contribuir neste processo. “É muito difícil viver da dança, de forma profissional, em Angola.”
Ao citar exemplos sobre a importância da dança na divulgação da cultura, o director do Kissanguluka apontou os Camarões, a República Democrática do Congo e a África do Sul como grandes referências.

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