Exibição de dança abre no “Camões”

Roque Silva |
15 de Junho, 2016

Fotografia: Kostadin Luchansky

A Companhia de Dança Contemporânea de Angola (CDC) estreia, amanhã, às 19h30, no Camões-Centro Cultural Português, em Luanda, uma temporada com espectáculo “Ceci N’est Pas Une Porte”, sobre a sobrevivência humana no domínio das artes cénicas.

A exibição de amanhã, cujo espectáculo tem a coreografia de Ana Clara Guerra Marques e Nuno Guimarães, é a primeira de oito apresentações que a Companhia de Dança Contemporânea de Angola  realiza  no mesmo local, visando celebrar o seu  25.º aniversário.
“Ceci N’est Pas Une Porte”, que em português quer dizer “Esta não é uma porta”, é um espectáculo que retrata a condição humana, as suas fobias e prisões psicológicas inerentes ao homem. A peça é um protesto pela ausência de salas de teatros em Luanda, um hino ao surrealismo, ao caos e à hipocrisia em que vive mergulhado um mundo.
Os bailarinos  apresentam-se dentro de caixas, onde disputam pequenos espaços, um cenário montado com o qual se pretende mostrar  os espectáculos realizados em espaços arrojados. O grupo pretende com a temporada realçar as desvantagens de salas convencionais para apresentações de concertos e artes cénicas.
O  espectáculo volta a ser apresentado no palco do Centro Cultural Português na sexta-feira e no sábado, às 19h30. Seguem-se as exibições nos dias 19, 23, 24, 25 e 26 deste mês.
Os coreógrafos, bailarinos e a produção do espectáculo realizam hoje, às 15h00, uma conferência de imprensa para dar mais explicações sobre a temporada e os 25 anos de existência da CDC, fundada pela bailarina e coreógrafa Ana Clara Guerra Marques, em 1991, com a designação Conjunto Experimental de Dança (CED), na qual integravam professores e estudantes da Escola Nacional de Dança.
A Companhia de Dança Contemporânea de Angola é membro do Conselho Internacional da Dança da UNESCO. Possui mais de uma centena de espectáculos apresentados em Angola e no exterior, nos quais se destaca “A Propósito de Lweji”, o espectáculo que a companhia fez a sua estreia a 27 de Dezembro, de 1991, no Teatro Avenida, em Luanda.
É o primeiro grupo de dança profissional em Angola e um dos primeiros em África a produzir dança contemporânea, motivo que o levou a provocar uma ruptura estética na cena da dança angolana. Em 2009 a companhia de dança se tornou mais inclusiva e passou a actuar em regime de temporadas. Dispensou as narrativas de estruturação convencional e passou a trabalhar com base nas histórias das pessoas, aspectos do quotidiano e as realidades sociais dos angolanos, como resultado de pesquisas.
O resultado de estudos de investigação efectuados em várias regiões de Angola se pode ver nos espectáculos de dança “Uma frase qualquer… e outras (frases)”,  “Peças para uma sombra iniciada e outros rituais mais ou menos”, “Paisagens Propícias” e “Mpemba Nyi Mukundu”.

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