Fábulas e Lukano da Lunda são destaques

Adriano de Melo
15 de Julho, 2014

Fotografia: DR

A história do império Lunda e a importância de ensinar princípios como os da igualdade às crianças são os principais enfoques dos espectáculos de teatro que são apresentados hoje, a partir das 16h00, no Centro de Animação Artística do Cazenga (ANIMART), pelos grupos Flores a Brincar e Tic Tac.

O primeiro espectáculo do dia, “Pequenas Fábulas”, que é exibido às 16h00, no âmbito do Festival Internacional de Teatro do Cazenga (FESTECA), pelo Flores a Brincar, faz uma análise sobre a família e a sua importância na formação das crianças.
Além da família, informou o encenador do grupo, Eduardo Songue, a igualdade entre as pessoas é o outro destaque da peça, que tem a duração de 45 minutos e a participação de 20 crianças, dos 10 aos 14 anos.
No espectáculo, explicou o encenador, as crianças imaginam serem melhores do que as outras e as suas famílias muito ricas, esquecendo valores importantes como a igualdade, fraternidade e o amor. “Actualmente vivemos numa sociedade moderna e dinâmica, na qual o protagonismo pessoal é a saída escolhida de todos. Portanto a perda de princípios essenciais para convivência social tendem a desaparecer devido ao materialismo”, disse.
Para o encenador, “Pequenas Fábulas” é uma chamada de atenção para o crescente interesse pelos bens materiais e a influência que isto pode trazer às gerações vindouras. “Queremos mudar um quadro negativo com esta peça, escrita numa linguagem simples e adequada, para crianças e adultos”, acrescentou.
Depois deste espectáculo, a programação do FESTECA tem agendado para as 19h00, ainda no ANIMART, o espectáculo “A força do Lukano”, do grupo Tic Tac, sobre a ascensão do império Lunda, encenado com base nos textos de Pepetela, Castro Soromenho e Manzambe Fernandes.
O assistente de encenação do grupo, Nelson Gonçalves, disse que a peça foi adaptada por Dom Pedro e Orlando Domingos, que procuraram respeitar os textos originais e preservar o pensamento dos três autores, apesar de alguns pequenos enquadramentos cénicos. O espectáculo, conta, é uma adaptação das aventuras e do drama da rainha Lunda, Lueji, que ascendeu ao poder numa época em que as mulheres não podiam governar. “Desta forma vamos também incentivar a luta pela emancipação das mulheres e mostrar a sua importância na formação de um império, mas também de uma sociedade, pois hoje elas têm um papel muito activo nas suas famílias”, defendeu.
O espectáculo, que encerra o programa do dia de hoje, levou quatro meses a ser montado e conta com a participação de dez actores. Nelson Gonçalves elogiou a realização do festival de teatro, por anualmente ajudar a elevar as artes cénicas e os grupos com pouca projecção no mercado, em especial os do município do Cazenga.
A programação do FESTECA inclui ainda a realização hoje, a partir das 10h00, no ANIMART, de uma oficina de teatro, com carácter formativo, que inclui troca de experiências.
O director do festival, Orlando Domingos, informou ainda que as palestras e conferências têm entrada livre.

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