Festa de criadores foi marca deste ano

António Bequengue |
31 de Dezembro, 2014

Fotografia: Eduardo Pedro

O movimento cultural ao longo do ano que hoje termina foi marcado pela realização da segunda edição do Festival Nacional de Cultura (Fenacult) que mobilizou centenas de criadores nacionais e estrangeiros, 25 anos depois da primeira edição.

Essa segunda edição do Fenacult teve uma particularidade ímpar na história recente do país, uma vez que foi realizado num ambiente de paz, realidade política e modelo de desenvolvimento económicos diferentes.
Este ano, o festival foi realizado num contexto internacional igualmente diferente pelo que se impôs  a sistematização de princípios e organização de acções que, consubstanciando a sua política cultural, respondeu  às exigências dos novos tempos que Angola vive hoje.
O Fenacult foi o momento mais alto de celebração e exaltação da cultura nacional, tendo como objectivo preservar e desenvolver as artes, a cultura e as tradições das diferentes comunidades, criar uma plataforma de interacção, intercâmbio e divulgação património cultural do país.
O Festival Nacional da Cultura, que passa a ter periodicidade quadrienal, retomou as conclusões e recomendações do Simpósio sobre Cultura Nacional e foi um acontecimento de afirmação da necessidade da defesa e promoção dos valores culturais e da dignidade das manifestações artísticas angolanas.
A realização de colóquios sobre a dimensão cultural do Presidente José Eduardo dos Santos, sobre o Dr. António Agostinho Neto e a literatura angolana, as conferências, mesas redondas e palestras foram destaques do programa do festival. O regresso dos comboios culturais, palcos nacionais de danças tradicionais, vozes femininas, teatro, trova, música popular angolana, festivais, espectáculos, concertos, oficinas de criação artística e dança, feiras e lançamentos de livros e discos preencheram o programa do Fenacult 2014.
O festival apresentou-se como um espaço privilegiado para as manifestações culturais de todo país, tendo envolvido agentes da arte de todo o país além da a participação de Manu Dibango e Ismael Ló, dois grandes nomes da música africana e internacional.

Lei do Mecenato

Este ano, o Ministério da Cultura viu aprovada pela Assembleia Nacional a Lei do Mecenato, um importante instrumento que estabelece o regime jurídico de incentivos de natureza fiscal na promoção do desenvolvimento dos sectores social, cultural, desportivo, educacional, juvenil, tecnológico, da saúde e da sociedade de informação.
A Lei do Mecenato estabelece o regime jurídico de incentivos fiscais e apoio do Estado no âmbito do Mecenato, visando fomentar, valorizar e promover o desenvolvimento dos sectores. Os benefícios fiscais previstos na lei são atribuídos às pessoas colectivas que, de forma altruísta prestarem serviços ou praticarem acções, realizarem para outrem ou financiarem, total ou parcialmente, obras ou projectos sociais, culturais, desportivos, educacionais, juvenis, tecnológicos, nos domínios da saúde e da sociedade de informação.

Projecção internacional

Além fronteiras, este ano, os porta estandartes da cultura nacional foram, sem dúvidas, os músicos Anselmo Ralph e Waldemar Bastos que com as suas canções projectaram internacionalmente o nome de Angola.
Anselmo Ralph realizou dezenas do espectáculos, para além de Angola, em Portugal, Cabo verde, Reino Unido, Suíça, Bélgica, Luxemburgo, França, Moçambique, Holanda e Brasil.
Este ano, também fez a sua estreia como actor no filme “A Dor Do Cupido” onde  personagem principal, tendo gravado um disco em inglês e algumas canções em espanhol, para melhor penetrar neste dois mercados. Em Junho Anselmo Ralph foi nomeado para os MTV África Music Awards, tendo conquistado o galardão para melhor artista lusófono.
Anselmo Ralph entregou ao Presidente da República, José Eduardo dos Santos, o primeiro disco de platina conquistado por um angolano em Portugal.
No ano em que se assinalaram os 25 anos da Queda do Muro de Berlim, Waldemar Bastos foi o orador principal da Conferência Anual sobre Diplomacia Cultural que esteve integrada nas comemorações, realizadas de 7 a 10 de Novembro, na Alemanha.
A Conferência Anual sobre Diplomacia Cultural, cuja edição 2014 se regista sob o título “A World without Walls 2014”, é o maior acontecimento anual de referência ao nível das Políticas Culturais, Intercultuturais e Relações Internacionais, contando, no presente ano, com a presença de mais de 300 líderes mundiais das áreas política, religiosa, académica e artística, e focando-se particularmente na discussão global de assuntos de Relações Internacionais, Regulação de Paz, Direitos Humanos, Arte e Cultura. Waldemar Bastos tem vindo a ser agraciado e prestigiado pelos mais importantes prémios e nomeações do universo da música, como é exemplo o ter sido destacado em 2012, com o álbum “Classics of My Soul”, pelo jornal francês “Libération”, como o melhor álbum de world music.
Mencionado por Tom Moon em “1000 recordings to hear before you die”, Waldemar Bastos viu também a sua interpretação de “Foi Deus”, tema da fadista Amália Rodrigues, mencionada no livro “1001 songs for hear before you die”.

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