Festival de artes com Kilandukilo

Adriano de Melo |
16 de Janeiro, 2015

Fotografia: Francisco Bernardo

Dança, música e contos da tradição oral de várias regiões do país são os temas do novo espectáculo do Ballet Tradicional Kilandukilo, que é apresentado ao público dia 21, às 19h30, no Cine Tropical, Luanda.

O presidente do Kilandukilo disse ao Jornal de Angola que o espectáculo, que assinala os 30 anos do grupo, “procura mostrar a diversidade e a riqueza do património artístico nacional, na forma tradicional ou folclórica.
O espectáculo, “Trajectória - Kilandukilo 30 Anos”, é uma retrospectiva do trabalho feito pelo grupo na promoção e valorização da dança tradicional, em especial as que realçam a identidade de algumas regiões do país. “É um espectáculo abrangente no qual participam 60 pessoas, entre bailarinos, corpo técnico e grupos de apoio” , afirmou.
O Kilandukilo convidou para a festa Mito Gaspar, Duo Canhoto, Semba Muxima, Nanuto e os grupos de dança Pende e Irene Cohen, de Benguela.
Além dos espectáculos de dança e música, o grupo realiza uma exposição fotográfica, no Cine Tropical e pretende reunir no mesmo local todos os integrantes do ballet que trabalham em Luanda, no Uíge (Núcleo N’kembo) e Lisboa.
“A ideia era trazermos os membros de todas as delegação, mas infelizmente os do Brasil não podem vir à festa”, declarou.
Manuel Vieira Dias Tomás referiu que o espectáculo é igualmente “uma prova de persistência”. “Apesar da abertura do mercado, a dança tradicional não tem tido muitas oportunidades de se impor”, lamentou. “A maioria dos grupos acaba por desistir devido a dificuldades financeiras”, disse e anunciou que o Kilandukilo está a preparar um espectáculo, ainda sem uma data de estreia e título, que deve ser apresentado a meio do ano.

O percurso

O Kilandukilo, termo quimbundo que em português significa divertimento, nasceu de um grupo de jovens apreciadores das artes, em especial da dança e da música folclórica. Um dos objectivos dos seus é pesquisar, recolher e estudar as várias manifestações culturais nacionais e outras, desde que estejam associadas, incluindo rituais fúnebres e de guerra.
O colectivo, fundado no bairro Maculusso, em Luanda, em Março de 1984, com a designação inicial de Grupo Experimental de Dança Tradicional Kilandukilo, conquistou vários prémios nacionais, incluindo um de Cultura e Arte, em 2011 e alguns internacionais. Pelo trabalho em prol da dança tradicional foi convidado a desenvolver um projecto no Brasil, em parceria com a Organização Não-Governamental “Pés no Chão”, destinado a inserir crianças de rua e em programas socioculturais ligados às artes.
África do Sul, Portugal, Brasil, Cuba, Alemanha, Suécia, Marrocos, Costa Rica, Índia, Coreia do Sul, França, Argentina e Japão são alguns dos países onde o grupo apresentou espectáculos de dança, entre os quais se destacam, ao longo destes 30 anos, “Yma Yeto”, “Tchianda”, “Ngolo”, “Ohamba”, “Kiximbula”, “Homenagem aos Lenhadores” e “Dança do Galo”.

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